domingo, 25 de agosto de 2013

“A – riscada” vida de professor e a cidadania arranhada.

É ARRISCADO SER PROFESSOR NO BRASIL, CARRO DE PROFESSOR TAMBÉM CORRE RISCOS!
O risco ultrapassou a 1ª camada da tinta, não podendo ser tirado com polimento. O reparo custará em média 300 R$.
No Brasil já não é nenhuma novidade as péssimas condições que norteiam o trabalho diário dos professores em nossas escolas públicas e privadas, nos mais variados níveis os docentes enfrentam cotidianamente situações e obstáculos que traduzem os nossos péssimos resultados de qualidade da educação básica. São muitas as histórias de desrespeito ao trabalho e a vida dos professores, algumas de uns tempos para cá são pautas de matérias para programas de TV, destaques em jornais.

Esta matéria traz mais relatos de um filme da vida real onde muitos trabalhadores da educação, infelizmente são obrigados a atuar como personagens principais, vítimas de algozes que no final da história também não passam de vitimados, escarros e respingos desse desastre que é o nosso precário sistema de educação.

Era mais um dia ensolarado, a aula iniciando as 7:30, quatro horas de trabalho, quase meio dia, um professor sai em meio aos berros e tumultuada revoada dos nossos passarinhos que deveriam na maioria estar na escola para aprender a arte do voo. Chegando próximo do seu carro, o professor se depara com um grande risco, feito com algum instrumento pontiagudo, em meio ao sentimento de tristeza e revolta a resposta automática a primeira pergunta. – só pode ser coisa de aluno, do latim "sem luz".

É claro que poderia ser bem pior, vemos histórias muito mais pesadas, o que é uma lataria arranhada diante de professores que levam socos, empurrões, até tiros e facadas segundo a vasta literatura jornalística policial que temos? Além é claro de humilhações, ameaças e pressões psicológicas dos alunos que fazem professores definharem com seus nervos cada vez mais precisados de prescrições médicas.

Este exemplo menor, mas não menos grave e exemplar da problemática do oficio de professor e da educação deste país serve e muito para mais e mais reflexões que urgem de ações, propostas eficientes na melhoria do trabalho e na valorização deste profissional cada vez mais raro no mercado.
Peças arrancadas (Um espelhinho retrovisor e uma campainha). a bicicleta do professor que fica todos os dias dentro do espaço escolar. 
Reflexões que levaram o próprio professor a repensar sobre sua locomoção até a escola, sabendo que não ganha um salário de deputado e que não pode trocar de carro ou ter seguranças como os tem nossos parlamentares, decidiu adotar um meio de transporte alternativo, uma bike comprada a prestação pela internet, esta que também não escapou da “contra-argumentação mais lógica” de indivíduos meramente matriculados, lhes faltando a alcunha de estudantes, pois a bicicleta que teve algumas peças arrancadas mostra o grau de involução da nossa juventude em suas noções de cidadania em uma educação que falha tanto em casa como na escola, eles saem de casa para escola e da escola para casa de segunda a sexta para aplicarem todo “seus conhecimentos” nos patrimônios alheios.

São elementos de uma geração perdida, alunos (sem luz) que não se encontram nem dentro, nem fora da escola, que veem o professor que cobra ou que rigidamente cumpre com seu trabalho de ensinar como algo ofensivo, notas baixas, repostas ou métodos que não são exatamente como alguns destes matriculados desejam tornam o professor um soldado do outro lado,  o enxergando então como um alvo a ser eliminado, quando talvez seja este professor a única pessoa que pode realmente fazer algo que poderia tirá-los dessa caverna, o sol do conhecimento e os raios da razão estão perdendo para o confortável escurinho dessas muitas mentes, infelizmente.  




sexta-feira, 5 de julho de 2013

A face das aulas do futuro que já chegou.

Do EducAÇÃO BR.

Há ainda professores resistentes às mudanças metodológicas que gritam e em protestos entram a força nas salas de aula, o uso do celular em sala por parte dos estudantes que tanto inferniza e de fato atrapalha principalmente na concentração tanto do discente quanto do docente é uma constante. Entretanto é impossível desconsiderá-lo, professores que ainda ousam viver em suas metodologias do recente século passado, onde talvez em seus meados não imaginasse o uso de tecnologias em plena sala de aula de forma tão fácil e cotidiana praticamente por quase todos nela presente.

Está ficando comum o uso do notbook, tablet, celular com usos pedagógicos, cognitivos por parte dos estudantes, a cena de estudantes usando a internet móvel e fotografando o quadro ao invés de anotarem tudo nos cadernos é uma escancarada noção do que virá daqui a não muito tempo. Os mais resistentes e tradicionais dizem que é pela preguiça de escrever ou de ler, fazer pesquisas que eles estão usando essas ferramentas em sala, enlouquecendo o tradicionalismo eles mal ou bem estão apenas vivendo desde sempre o mundo em que vieram.

Trata-se de um choque entre professores analógicos, outros que são migrantes digitais e os nativos digitais, conflitos de gerações. Como em qualquer trabalho moderno, o professor querendo ou não, gostando ou não, precisa usar em alguma etapa do seu trabalho os instrumentos e ferramentas da informática nas novas tecnologias educacionais, portanto resistir é se machucar na imposição de um passado que nem nas aulas ou conteúdos mais teóricos ou tradicionais que não se aplicam mais na íntegra e que ainda assim são pelo molde de seus resistentes ministradores, pois ao passo que o futuro chega, as inovações didáticas devem seguir para evitar anacronismos e atrasos didáticos metodológicos perante ao público da chamada geração Y - Z.

Assim como conteúdos mudam em volume e em qualidade muito mais que ha vinte anos, as formas e modos de ensino também sofreram diversas transformações, salvos alguns aspectos didáticos ainda conservados, principalmente aqueles que norteiam a disciplina, a exposição verbal dos conteúdos, por exemplo, de um professor que domina bem e articula os conteúdos a uma verbalização flexível e preparada para absorção das diferentes turmas em seus mais variados níveis, parece que nunca sairá de moda, parece que nenhum programa poderá substituir um professor que saiba verbalizar conteúdos e responder de forma entendível as mais variadas perguntas a eles referentes, sendo assim o bom professor como uma “ferramenta de busca” ainda muito eficaz.

O próximo passo será a universalização do uso das tecnologias que transformará de vez os espaços escolares, um computador por estudante, lousas digitais, programas e recursos digitais para tudo em sala de aula será uma realidade global não daqui a tanto tempo.

Professores já utilizam blogs, sites e as mídias sociais em seus trabalhos com os estudantes. O Facebook:
Criada em fevereiro de 2004 por Mark Zuckerberg, ex estudante da Universidade de Harvard, esta mídia se agigantou e se tornou um fenômeno em numero de usuários em todo mundo, sendo o Brasil, pais de destaque em número de contas. Praticamente todos o utilizam, professores e estudantes, alguns muitos estão o tempo todo logados em constante on line, postando, curtindo, compartilhando fotos, vídeos, textos, opiniões.

Então por que não usar este recurso a favor da educação? Muito se fala no poder alienante do Face, mas também no poder revolucionário, a chamada revolução árabe teria se organizado a partir das redes sociais. Como qualquer recurso de informação e comunicação a internet pode ser usada com ou sem qualidade, como algo aberto, universal, o individuo real será nele a sua extensão virtual de forma que trabalhando o virtual se trabalha o real e vice e versa, aparando claro, as devidas arestas deste processo.
Exemplo de post de um professor de história sobre o conteúdo Ditadura Militar. Com o título de "Saudades da Ditadura Militar" o vídeo que mostra a opinião de um jornalista em TV aberta sobre a nossa atual democracia e a sua visão crítica em meio a comparações e análises com o período do regime militar traz para o Face-Aula um debate que ganha vida nas posições dos estudantes. Cabendo ao professor orientar o pensar sobre os vários ângulos e lados da história!

De fato o uso do Facebook no ensino já é uma realidade e tende a se expandir, pode aproximar os estudantes dos seus professores e o que mais importa, dos conteúdos, pois alguns professores exploram bem a ferramenta postando conteúdos relevantes que podem ir além dos conteúdos escolares programáticos, se encontrando com questões sociais, políticas, éticas e morais, assim com em sala de aula, cabendo ao professor um papel de orientador e mediador dos debates, discussões e polêmicas geradas que com certeza estarão conectadas e com vida bilateral quase própria, entre salas de aulas-conteúdos e Facebook-internet, isso já acontecendo sem o professor se envolver, sendo um convite irrecusável ao educador fazer parte desse processo quase inevitável. 




quinta-feira, 30 de maio de 2013

Estudantes tocantinenses tiveram dias de deputados


Do educAÇÃO BR - Por Dhiogo Rezende.

Trata-se do Parlamento Jovem, uma iniciativa da Assembleia Legislativa do Tocantins viabilizada pelo projeto do Deputado Osires Damaso em parceria com a Secretaria Estadual de Educação, reuniu 24 jovens de várias cidades do estado que tiveram seus projetos de lei selecionados, garotos e garotas foram a Palmas viver entre os dias 15 e 17 de maio a rotina dos parlamentares da AL-TO.

Os jovens passaram três dias sobre vestimentas apropriadas, conheceram a estrutura física e os protocolos de funcionamento da casa, tiveram contato com os deputados e defenderam em plenário seus projetos de lei que tinham como eixos temáticos a educação; meio ambiente; defesa do consumidor; cultura; esporte; segurança pública e agricultura.

Os estudantes ficaram hospedados no Palace Hotel Turim com ônibus a disposição, saiam às 8 da manhã e regressavam às 18 horas, receberam um kit com caderno, canetas, a constituição do estado, o regimento interno da AL e do Jovem Parlamento, ainda um curso profissionalizante da Fundação Ulisses Guimarães oferecido pela Deputada Josi Nunes. 

A iniciativa do Governo do Estado busca incentivar a juventude a se expressar e participar das questões de seu universo político e social, reforçar o compromisso com a cidadania através da participação democrática que visa à melhoria das comunidades e da sociedade nas quais estes jovens se inserem.

Mesmo com o descrédito e toda sorte de criticas a nossa política nacional, a falta de credibilidade que o povo brasileiro tem, cada vez mais frequente e que cresce eleição a eleição, muito pelas atuações desabonadoras e condenáveis de muitos políticos do legislativo ou do executivo nos níveis municipal, estadual e federal, projetos como esse do Parlamento Jovem são deveras importantes, servem diretamente na formação cidadã, escolar e futuramente acadêmica destes estudantes, pois legislar coerentemente é um trabalho sério e complexo. 

O fato de termos péssimos exemplos na nossa vida política, não tira da casa de leis, da casa do povo, da democracia, da política, seus verdadeiros sentidos, suas essências, por mais que práticas ruins existam historicamente na política nacional, a democracia deve seguir e fortalecer com ela os valores necessários à vida social, voltada para o bem comum, assim estes jovens tem nessa oportunidade de acompanhar a vida parlamentar, a possibilidade de fazerem as devidas criticas e de levarem pensamentos, posicionamentos de práticas que podem fazer a diferença para eles e suas comunidades. 
Brenda Santiago, Lívia Salviano, Raquel Barbosa e Danilo de Melo - Secretário Estadual de Educação
Sobre a prática política que ultimamente são cotidianamente pintadas nas mídias com as cores fortes da corrupção, a generalização é sempre um erro, “Antes tinha a visão de que todos os deputados eram ladrões. Porém convivendo com eles, percebi que estava errada. Há uma pequena porcentagem, mas bem mínima mesmo que procura atender todos os anseios da população, principalmente as menos favorecidas.” Disse a jovem parlamentar Lívia Salviano.

Do Colégio Dom Orione de Tocantinópolis, destacado na região do Bico do Papagaio por exitosos resultados no Sistema de Avaliação do Tocantins, nas posições no ENEM e ganhador de algumas edições do Premio Gestão, saíram três estudantes para esta edição do Jovem Parlamentar. Lívia Salviano, Brenda Santiago e Raquel Barbosa representaram o colégio, Tocantinópolis e junto com Ian da Costa de Esperantina, deram voz ao Bico do Papagaio, de toda a região, eles foram os quatro dos 24 selecionados.
Estes estudantes dos 2ª e 3ª anos do ensino médio destacam-se em suas comunidades escolares e devem bem saber da realidade que passam suas cidades em uma das regiões mais carentes do Tocantins e do Brasil, vide as falhas ou mesmo ausência dos poderes públicos refletidos no IDH da região. 

Nessa perspectiva vemos a importância do Parlamento Jovem, da autocrítica da atuação do poder público estadual, os jovens parlamentares, despidos dos vícios partidários e da ânsia e cobiça por poder podem trabalhar melhor a consciência e a verdadeira funcionalidade do cargo de parlamentar, do quê se trata representar e respeitar o povo que coloca pessoas em seu lugar para falar e agir em seu nome e assim erguer boas e construtivas críticas ao nosso sistema político e social.

Os projetos defendidos pelos jovens deputados podem no futuro amadurecer e contribuírem para projetos de leis reais no futuro. Os jovens parlamentares do Bico, Lívia Salviano defendeu um projeto que versa sobre a lotação de psicólogos nas unidades escolares, a Brenda Santiago sobre a inserção das disciplinas de filosofia e sociologia no ensino fundamental, Raquel Barbosa defendeu a implantação de primeiros socorros nas redes públicas de ensino e o Ian da Costa sobre o descarte adequado de resíduos tóxicos e a ética na gestão ambiental.   



sábado, 11 de maio de 2013

Cola na Escola. Cola?


Do educAÇÃO BR

Muito da nossa escola atual, da pedagogia e didática modernas, se deve aos pensamentos de um checo chamado Jan Amos Komenský, ou Comenius que viveu no século XVI e XVII. Buscou nas suas ideias uma educação reformada que aproximasse valores morais e espirituais aos valores sociais e políticos, construindo uma ideia de educação universal e altruísta. Comenius é o pai da didática, do estudo do método de ensinar e por consequência de aprender. Para ele, a escola é o espaço principal da transformação social através da formação dos indivíduos que por ela devem passar e absorver o conhecimento universal e livre, preparando-os para vida em sociedade.

O pensamento de Jan Amos sobre educação colocou dentro da sistemática escolar a indissociável participação da família no processo pedagógico e a defesa de um ambiente escolar agradável e estruturado para as interelações entre educadores, educandos e conhecimento.
Sabendo desse maravilhoso pensamento e teoria coerente de fundamentos humanistas que se tornaram verdades em muitos discursos e demais teorias modernas da educação, ficamos até tristes em entender que nem todas as realidades e os fatores que as implicam não deixam muitas vezes o ideário comeniano acontecer.

A realidade brasileira não converge de fato com um processo de progresso sociocultural por meio da educação, apesar dos discursos e tentativas práticas, a nossa cultura não colabora com uma devida modernização escolar. A cola, expressão usada para designar meio contraventor de se adquirir respostas para perguntas presentes em avaliações, mostra um grande atraso se essa prática se mostrar não um mero aspecto, mas uma cultura.

Diante do crescer e prosperar de aspectos contraproducentes ou de desqualificação do conhecimento observados na vida escolar brasileira, que costuma sair muito mal nas fotos (ranking) da educação mundial, a cola é fator que se agiganta em uma expressão com status de prática cultural, muitos estudantes não sabem simplesmente viver sem ela, chega a ser quase um vicio, com direitos a métodos e sistemas para a "colinha" não faltar e nem falhar nas horas de precisão da vida escolar da maioria de nossos estudantes.

A cola é uma prática alimentada no descrédito do processo educativo como forma de realização da pessoa humana, nossa escola pública (a da maioria da população) não é um ambiente que denote atração e assimilação dos jovens em relação às ligações entre escola e futuro, muitos não enxergam de verdade a cola como um mal, alguns a veem como um mal necessário, poucos são os conscientes, que veem a cola como desonestidade, e na lógica simples como algo que não desenvolve, que não traz aprendizado, muito pelo contrário, é um combate mortal ao conhecimento. A cultura da cola não se resume as instituições de ensino público, está nas escolas da elite, no ensino superior público e privado, é nacional!
Mesa de uma sala do 3ª ano em Colégio Público
Vejamos como é intrigante a presença da cola em uma turma do 3ª ano do ensino médio de um colégio católico conveniado ao estado do Tocantins, por tanto uma escola pública, estudantes fizeram questão de gravar suas pretensões de futuro (médico, engenheiro, advogado, enfermeira, arquiteto) nas fardas que são especialmente criadas e confeccionadas para servir de identidade e também de status para garotos e garotas beirando os 18 anos, formandos do ensino médio, candidatos a vestibulares, ENEM e por consequência a vida profissional que deve iniciar nos primeiros períodos das faculdades que requerem toda a constituição escolar do indivíduo, desde a educação infantil.
Cola com informações para as provas de Sociologia, contendo informações sobre Karl Marx  e Durkheim
Nesta turma, todas as mesas, carteiras escolares são literalmente “suportes de cola”, fórmulas de física, química, matemática, trechos de conceitos ou ideias, fatos de história, sociologia, filosofia, geografia, impressionante constatar que são quase todas as bancas, mesas dos 3ª anos, de todas as salas de aula das outras turmas do ensino médio e fundamental, denotando uma verdadeira cultura da cola. 

Tanto é cultural que além das inovações das técnicas de colagem, usando os celulares (imagens e textos-mensagens), táticas de esconder pedaços de papeis, ou engabelar o professor para ver, ouvir, falar, pegar as respostas entre os colegas, quando pegos no flagra, criam justificativas, desculpas, defesas, ou simplesmente a mentalidade de que a cola não é nada grave e que é banal, como eles dizem: Todo mundo faz professor. Onde foi parar a lógica de que para saber responder perguntas, basta estudar e se preparar antes e sempre? A cola seria também um reflexo dessa geração Y-Z da era da informação digital pronta e acabada em um simples click de uma ferramenta de busca?

Que ideia de ética estes nossos futuros universitários e profissionais tem no final da sua formação básica? Da cola no ensino médio até a compra de artigos, monografias e plágios na academia. O processo de formação escolar é complexo, uma escola que não trabalha essa e outras questões no convívio escolar, está contribuindo para diversas problemáticas sociais no futuro, se como vimos no inicio deste texto, por Comenius, a escola é uma matriz para a sociedade, a nossa pode estar seriamente comprometida pela cultura da banalização e vulgarização da escola, da educação em nossa “didática magna”.

A cola na escola, talvez seja um mostruário da nossa sociedade em todos os níveis, principalmente na política nacional que é a geração cíclica de toda essa cultura, pois educação ruim, formação ruim, eleitores e eleitos ruins, mal formados, que pensam que colar ou roubar verbas públicas são coisas banais, pois no Brasil, “todo mundo faz”, desde os tempos de escola!

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Professores Indígenas na Paralisação Nacional da Educação em Tocantinópolis - TO


Dhiogo Rezende para o educAÇÃO BR

De 23 a 25 de abril, professores de todo país paralisam suas atividades nas escolas para reivindicar 100% dos royalties do petróleo e 10% do PIB para educação, respeito ao pagamento do piso salarial, valorização e revisões das jornadas, dos planos de cargos, carreira e remuneração, pela aplicação do Plano Nacional de Educação, profissionalização e formação dos demais funcionários da educação.

Parados nas atividades escolares, mas em intenso movimento nas ruas e praças, os educadores (nem sempre a maioria deles) mostram a cara e erguem suas vozes de protesto aos ouvidos dos governantes e  de toda sociedade brasileira, ao menos uma vez por ano, lembrar e refletir sobre os descasos e desmandos na educação pública, que sendo deficitária com a categoria docente, passa a não ser um problema exclusivo dos professores e sim, de toda nação.

“Um país se faz com homens e livros” e um país sério se faz com homens sérios que levem a educação a sério, mas infelizmente, é histórica a falta de investimentos e o descuido dos governos com nossa educação, transformada em sucata. É urgente a participação, não apenas dos professores, mas de estudantes, pais, toda a sociedade na luta incansável de todos os dias do ano, por uma educação de qualidade real e não essa que estampa falsas propagandas nas mídias pagas pelos governos com dinheiro público. 
Mesmo que ainda não exista uma unidade nacional na luta pelas melhorias na educação pública brasileira, podemos notar um nítido avanço com a participação das minorias como a indígena na linha de frente dos protestos. Dezenas de índios apinajés, entre eles, seus professores indígenas, alguns com ensino superior como Júlio Apinajé, formado em Educação Indígena pela Universidade Federal de Goiás, saíram das aldeias para junto aos professores do município de Tocantinópolis, levarem a público que a educação em todos os níveis, não está caminhando congruente com a situação econômica que vive o Brasil.
Prof. Júlio Apinajé e Prof. Cleber Borges. Presidente do SINTET - Tocantinópolis
Dentro das falas indígenas, ficou exposta a situação de abandono e exclusão que passa a educação indígena do Estado do Tocantins, nos remetendo a uma problemática que deve ser nacional. Os professores índios trabalham como os professores não indígenas e mesmo assim não recebem nem o piso salarial que atualmente é R$ 1.567,00, além disso, mesmo os que são efetivos do estado, não possuem e não são regidos pelo Plano de Cargos e Carreira dos demais educadores tocantinenses lotados no sistema estadual de ensino.

Os apinajés nas seis aldeias que compreendem o município de Tocantinópolis, são cerca de 800 habitantes, o centro educacional e diretor das demais escolas fica na aldeia Mariazinha. Há um desrespeito enorme separando e excluindo os professores e a educação indígena dos parâmetros básicos e sobre protestos da educação nacional, uma política de governo ainda mais excludente, pois a educação indígena nem ao menos esta equiparada a tão maltratada educação regular.
Os apinajés relataram que nas escolas indígenas há falta de estrutura, de ônibus escolares próprios para as estradas das aldeias, falta de funcionários como vigias, merendeiras e ASG’s, pedindo até um concurso para várias áreas, falta de laboratórios de informática com internet, os computadores que foram entregues, mas que por falta de uso e profissionais especializados se encontram obsoletos, falta de material escolar e pedagógico, inexistência de quadras esportivas, atrasos na merenda escolar.

Ainda constou na reivindicação dos índios, que o calendário escolar indígena não tem início e fim como o calendário regular do estado, situação que deixa todos os anos as comunidades indígenas com lacunas e atrasos no ano letivo. Os professores apinajés, em suas falas são exemplos de como anda nosso sistema escolar, que é precário na educação pública da maioria e absurdamente falho com a educação pública das minorias.

Todas as reivindicações indígenas foram recebidas pelo SINTET – Tocantinópolis, na pessoa do Presidente Cleber Borges, que por sinal são históricas, ao menos no que se refere à educação indígena na região do Bico do Papagaio, por se tratar da primeira vez que representantes, e professores indígenas aderiram à paralisação nacional da educação. Júlio Apinajé, diretor da Escola Indígena Tekator (escola matriz, aldeia Mariazinha), mostrou grande consciência de classe em seus discursos politizados, disse: a participação dos índios na greve nacional da educação serve tanto para melhorias na educação indígena como para a visibilidade das questões indígenas e o despertar do devido respeito por parte da sociedade não indígena.

terça-feira, 19 de março de 2013

Bárbara Educação - Te pego na saída!

Em menos de duas semanas, duas brigas de estudantes são marcadas na saída da escola em Tocantinópolis - TO. Está virando ou já é moda desde muito, muito tempo na nossa história?

Do educAÇÃO BR  

Vídeo da briga: http://www.facebook.com/photo.php?v=597498673612237
Fonte:  http://www.tocnoticias.com.br/ler_noticia.php?idnoticia=3807

O Império Romano forte e centralizado, por séculos dominou, explorou, expandiu-se pela Europa, África e Ásia, até que vários golpes lhes foram desferidos. Crises econômicas e políticas, corrupção, conspirações, fragmentações do poder e um poderoso golpe mortal: as invasões de povos bárbaros que derrubaram esse gigante da antiguidade no século V d.C. Os romanos no ar do seu etnocentrismo que encontrava sempre no diferente uma oportunidade e quase uma obrigação de transformá-lo a sua semelhança, instaurava-se a “romanização” dos conquistados.

Até que povos ameaçadores da sua supremacia mostraram-se resistentes e ofensivos, estes povos, diferentes como qualquer outro aos olhos dos filhos de Rômulo e Remo, em especial, chamados de bárbaros pela boca de Roma, além de não terem a cultura romana, não falarem latim, eram destemidos e insistentes com seus saques, incêndios, matança e na conclusão do fim deste grandioso e famigerado império clássico da nossa história antiga.

As palavras com seu poder eternizam-se pelo tempo, o bárbaro passou a ser sinônimo de incivilizado, bruto, violento, independente da alcunha original, seja godo, visigodo, germânico, franco, ou “vândalo”. A barbarie será conceituada relativamente aos seus usuários e na definição do que é bárbaro ou não, estará se pesando as concepções das características que forjaram a palavra. Independente do observador, a violência será um alicerce comum na definição do que é bárbaro.

Entretanto, a violência dependendo do contexto, pode ser mais ou menos, aceitável ou inaceitável, mas ainda sim violência, essa ponderação trará ou não o termo à tona. O entendimento que violência é violência e ponto final será uma dificil tarefa da humanidade, acostumada com "tapinhas que não doem". Por exemplo, quem eram os antigos romanos que se divertiam com a carnificina entre gladiadores e feras no Coliseu para definir qualquer povo como bárbaro? A barbaridade está com quem?

De fato, os romanos não forjaram juntamente ao emprego do nome as características do que hoje conhecemos como peculiares do que é "bárbaro" no século V, estas foram gradualmente criadas e absorvidas na dor e no fracasso de um imperio decadente que ao menos nos sentimentos etnológicos queria ferir os povos causadores da sua sucumbência. O tempo passou, o cristianismo se fortaleceu, as mais variadas religiões se estabeleceram com suas doutrinas de respeito e harmonia na convivência humana em convergência (até certos pontos) e a educação que sempre foi égide nas civilizações clássicas, mesmo sofrendo com as mazelas da idade média, não exclusivas desta era, a educação seguiu atacada de forma sempre atualizada, todos os dias, mas pela sua constituição, sempre foi idealizada e objeto de realização da sociedade consciente.

A singular cultura humana, desde o paleolítico, existe e se perpetua pela aprendizagem, somos antes de qualquer coisa - aprendizes. Na antiguidade, a escola surgiu na tutela de pensadores, filósofos que sabiam a necessidade de institucionalizar e registrar materialmente além de mentalmente o saber ou a sua busca. A civilização emerge dessa engrenagem, da capacidade de aprender e de organização humana, sendo o controle dos meios de produção e reprodução do saber diretamente ligado às injustiças, aos desmandos, as desigualdades e ao afundamento da humanidade, assim sendo, a educação como um marco equalizador do nosso estágio de civilidade, o seu acesso, desde sempre é a diferença entre a opressão e o lutar do oprimido que bem sabe as razões da sua escravidão e por isso sabe que não a quer, a educação é o sistema, a máquina principal das transformações positivas na história da humanidade.

No correr do século XXI, ao depararmos com cenas reais, às vezes muito mais chocantes do que a ficção mais terrível, justamente por assim não serem, são reais e estão em qualquer esquina, remetemos logo a situação de barbárie que nos encontramos e que antes parecia um passado das páginas dos livros de história. Torcidas que se matam nos estádios dependendo ou não do placar, as violências decorrentes do trânsito, das vaidades misturadas ao álcool, da intolerância religiosa, sexual, de gênero, distinções absurdas de pessoas na fundamentação da "religião da guerra", feitas por fanáticos donos das verdades de Deus e da terra, que propagam o ódio que gera a ignorância (não necessariamente nessa ordem), crianças e adolescentes que no sair da escola adentram na “guerra do fogo”, na sua versão sem sentido, sem objetivo, sem causas e com muitas consequências.

Jovens que vão para a escola e de lá saem sem saber português, matemática, história, geografia, ler e escrever direito, sem saber pensar na vida e na humanidade, inconscientes de si e dos outros, entregando-se aos nossos instintos mais primitivos, sendo dominados por eles e servindo de espetáculo para deleite de dezenas que como eles se desumanizam a cada grito, a cada pulo, a cada acesso neste futuro digital das redes que apressadas tecem uma conexão com o passado, a passos largos que nos levam de volta às cavernas pós históricas da involução. 







segunda-feira, 11 de março de 2013

Sala de Aula. O professor de história na abordagem do tema religião.

"na escola, quanto mais diverso for o olhar religioso, menos proselitismo, menos ataques, menos defesas, mais conhecimento."  

Do educAÇÃO BR


Entendendo nossa história, entenderemos nossa formação etnocêntrica, aprendemos a julgar pelas tutelas de quem historicamente nos subjugou no nosso passado quinhentista colonial, acostumamos a olhar o diferente não apenas como o que ele é de fato, diferente. Vamos além, é diferentemente feio, inferior, pobre, errado, subversivo, na contramão do progresso, uma pedra no nosso caminho. O diferente sempre esteve na nossa frente, "nenhum ser humano é uma ilha", o contato é tão natural quanto o estranhamento gerado por ele, mas não podemos conceber que o natural também seja um humano destruir o outro por motivações analiticamente banais, isto se faz inversamente as nossas capacidades, as faculdades humanas que nos tornam únicos diante de todos os animais, é só atentar para o fato que dentre todas as espécies, somos a única que se autodestrói, então somos tão ou mais animais que os outros animais?

Éramos mais humanos no sentido racional e de solidariedade quando o sapiens ainda não nos tinha chegado como alcunha? Não, nem assim, nossos ancestrais poderiam ser mais harmônicos internamente em seus grupos, mas a competição pela sobrevivência, pelo domínio do fogo, depois pelas terras agricultáveis era massacrante, o sujar as mãos com sangue da mesma espécie já estava escrito nas nossas primeiras páginas, sempre fomos conquistadores uns dos outros, do corpo ou da mente. Seria a versão evolucionista, por tanto não teológica da expulsão do paraiso e depois Caim matou Abel?

Antes de falar do espiritual, o professor precisa centrar os estudantes da constituição humana, primeiro, quem é este bicho-homem? Depois, o que é a religião? A religião não criou o homem, este é que a fez, e a construiu em cima das suas necessidades, do processo de significação do que para ele tem significado, somos fruto da nossa capacidade de ser o que precisamos ser. Estaríamos a partir de então matando o conceito de religião e a sua importância?

Logicamente que este tipo de abordagem baterá de frente com tudo que lhes foi dito desde sempre, há explicações religiosas, teológicas para a criação, aparecemos então como criatura, e se assim somos, temos então um criador – DEUS, quem veio primeiro, o ovo ou galinha? Entretanto é neste choque que pode residir uma boa aula e isenta de doutrinações, de enfraquecimento ou recrudescimento da fé, ou da razão cientifica. As bases antes divididas, na aula, na escola composta pelo pluralismo cultural, estas dicotomias devem assentar o mesmo banco para depois os próprios estudantes, partindo de suas construções e formações de berço, possam falar, debater, discutir, criticar, se enganar, se acertar segundo seus juízos.

- Professor, o senhor acredita em Deus?
O professor de história, filosofia, ou sociologia carrega a peculiaridade da capa de ateu, da roupa de não cristão, podem ser, podem não ser, mas a imagem, os estereótipos já estão postos pelo mesmo processo que consta na introdução deste texto, diante deste etnocentrismo nato, é que mora ainda mais a necessidade deste professor desnudar a sala de vícios de pensamentos apologéticos ou repressores do livre pensar, é preciso o entendimento de quê religioso ou não, o processo de conhecimento, de qualquer área filosófica ou da ciência, das religiões, precisa de certo desarmamento para ao menos haver a escuta primeiramente que a fala e seus juízos verbalizados para desconstruções ou construções, transformando a sala de aula em um ringue entre os que têm religião e os que não têm, mandando a mediação do professor para escanteio.

Conhecendo-se o humano, conhece-se a religião e as ideias de Deus em toda sua pluralidade, cada estudante deve aprender a conhecer sem querer impor o que os outros devem conhecer. Ninguém deve conhecer necessariamente como o outro, ou o que o outro conhece. O humano inconcluso, fraco, passivo de erros, falho, animal, deve ser conhecido pelos discentes, nada de “super-homens” da ciência ou da religião, o demasiado humano deve ser visto a olho nu.

Ao professor cabe empinar essa pipa, deixá-la no céu visível a todos, a linha também deve ser passada a todos os estudantes, na sua hora, na sua ideia, na sua mente, ela vai para onde eles quiserem, o importante é não ser o dono da pipa, da verdade.

Aprendendo a não julgar, ou a julgar melhor, com respeito e análise coerente e ética, estaremos de fato introduzindo na escola os pilares das religiões como um todo, já estará se ensinando religião como área de conhecimento e usando em loco uma de suas práticas, já que a mesma foi feita pelos homens e não por Deus, a religião filha de seu criador é naturalmente falha, mas carregada de acertos e caminhos harmoniosos, acontecendo isto na sala, não estará se fazendo necessariamente um ato religioso estrito, pois não se estará “religando” nenhuma criatura a algum criador, não se estará dando forma a isto, simplesmente a humanidade está sendo processada, a religião é tão humana como pode ser divina, e na escola, quanto mais diverso for o olhar religioso, menos proselitismo, menos ataques, menos defesas, mais conhecimento.  

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Professores desabafam contra Governo de Eduardo Campos (PE) nas redes sociais

Foto de um dos últimos protestos nas rua de Recife-PE
Do educAÇÃO BR


O Desabafo abaixo foi veiculado nas redes sociais por lideres do MOPROPE, Movimento Organizado dos Professores de Pernambuco que desde 2009 tenta continuar uma luta bastante desigual, de cidadãos contra um governo que na pessoa de seu governador esmaga o que lhe convém, mesmo que isso quebre a lei, tudo apoiado nos seus altos índices de popularidade. É importante se ater que políticos (Principalmente no Brasil) podem usar a máquina, o poder da mídia e da propaganda para se manterem no poder, criando uma literal ficção referente às realizações da gestão, mas a prática pode ser inversa, os fatos até que mostram, estão expostos (quando dá) por ai, só que muitos "olhos pernambucanos" foram adestrados para não ver "nada", aliás, veem "tudo", menos a verdade. O projeto é fazer o mesmo com o Brasil.
Eduardo Campos quer ser presidente, quem viver verá, será que verá mesmo?

Do Moprope - Acompanhe a trajétória de luta acessando: http://moprope.zip.net/

Esperávamos que o Governador do estado de Pernambuco, Eduardo Campos, fosse o que afirma ser: socialista e defensor das causas sociais. Puro engano, governa o estado a mãos de ferro, tem ampla e total influência no TJPE e MPPE e dessa forma consegue rasgar a Carta Magna de 1988 (Constituição Federal), mantendo, no estado, funcionários com contratos temporários que podem chegar até seis anos, enquanto existem pessoas concursadas e que aguardam até hoje serem convocadas para assumir os postos.

Hoje houve uma reunião convocada pelo Secretário de Educação, Ricardo Dantas (PAU MANDADO, FANTOCHE ), para apresentar um posicionamento acerca do concurso da SEDUC 2008. O secretário reconheceu que há um déficit hoje no estado de Pernambuco de 1.200 Técnicos Educacionais e mais de 2.000 para Professores, porém, sarcasticamente, afirmou, em alto e bom tom, que o governo do estado reconhece a atual situação, mas não tem interesse em convocar os concursados, mantendo servidores contratados temporariamente, mesmo infringindo Normais Constitucionais. 

Que absurdo!!!!! FICA A SENSAÇÃO QUE NÃO EXISTE LEI NO NOSSO ESTADO... O que fazer diante desses homens que acham que podem passar por cima de tudo é de todos ...NOS AJUDEM DIVULGANDO ESSA VERGONHA NAS REDES SOCIAIS. 2014 VEM AI, EDUARDO. AGUARDE!!

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Curso de Pedagogia do Campo causa polêmica em Universidade.

UFT - Tocantinópolis - TO
Do educAÇÃO BR


            A recente implantação do Curso de Pedagogia do Campo com habilitação em música e artes, na Universidade Federal do Tocantins, campus de Tocantinópolis, este que antes tinha apenas dois cursos, Pedagogia e Ciências Sociais, ambos de licenciatura, esteve sobre dias turbulentos referentes a protestos, criticas agudas, defesas aguerridas no âmbito dos corpos docente e discente, e de outros críticos da comunidade.
O Brasil e seu passado agrícola, ainda presente, com séculos de colonização e todo contexto de maus tratos com os atores econômicos que sentavam nas mais inferiores camadas hierárquicas de um país moldado pelo escravismo, no regime do patriarcado aristocrático, do coronelismo, das oligarquias que pelo poder da terra até os dias atuais imprimem em nossa sociedade, ranços de preconceito e descompromisso ou agora exploradas pelo agronegócio, mesmo em tempos democráticos com as bases sociais que se fixaram e vivem ou sobrevivem do nosso campo.
Somente nos últimos anos, décadas, da redemocratização para cá, que a nossa educação entrou em um processo de reforma tanto de estado, como de aparelho administrativo e executivo, face mudanças na LDB, alterações que tentam tornar a nossa educação mais universal e comprometida com a justiça e inclusão social. E algumas mudanças podem incomodar, sempre podem ferir o estatuto da classe dominante, da elite que continua em suas devidas proporções ou “roupagens” a mesma de um Brasil que ficou “independente dependente”, com uma monarquia exclusivista, depois com um golpe da República que inventou uma democracia que só serviu e ainda serve a elite.
É só analisar uma conexão entre as várias criticas que receberam e ainda recebem politicas de cotas, de ingresso de jovens de baixa renda nas universidades federais, ao se misturarem com os filhos da elite, a aversão é entendível partindo do ponto vista do andar da nossa história, assim também ocorre com a implantação de um curso de pedagogia do Campo em detrimento de um de Direito, Medicina, Fisioterapia, ou outras formações consideradas elitistas.
Este discurso da “formação ideal” no Brasil sempre desqualificou as licenciaturas, a formação de professores é um caco de vidro, precária e incongruente com as demandas de qualidade no ensino e aprendizagem, os cursos que licenciam professores são ingressados por membros menos abastados da nossa sociedade, os descendentes dos que tem “posses” devem ter outra formação, os próprios pais, tanto os da elite quanto os de classes desfavorecidas tem o discurso de que o filho tem que ser “doutor”, o ser professor é carregado de preconceitos e desconfianças e muitas vezes colam na cabeça dos formandos em licenciatura e para tudo chegar a autodesvalorização da profissão ou não entendimento do papel do professor pelos próprios, é um pulo.
Mesmo que a universidade esteja enraizada em uma região com cheiro e cores do campo, mesmo nos espaços mais urbanizados das pequenas e médias cidades rodeadas de assentamentos, um curso de pedagogia do campo pode ser mal interpretado ou mesmo ignorado. É preciso entender as implicações politicas que escolhas de cursos como estes guardam, movimentos sociais de cunho acadêmico e políticos e às vezes partidários podem ser ingredientes destes processos que podem apresentar distorções, principalmente quando os interesses não sejam para as populações campestres, sobretudo uma formação que diretamente represente a melhoria de vida e qualidade no campo.
Há que se ater a casos particulares de cada universidade e seus contextos, a oferta de mais cursos e outros que chamem mais atenção dos jovens é por hora o único caminho para estes que não aprenderam e não entendem a importância das licenciaturas, muito menos uma voltada para o campo, até os viventes das zonas rurais, talvez queiram outras carreiras e nesta perspectiva isso pode ser ruim como também bom.
O campo no Brasil, as escolas que lá se erguem vivem outras dinâmicas, as cabeças pensam diferente das que estão em espaços mais urbanos, por isso é necessária uma pedagogia adequada, ou seja, um professor com esta formação, contudo, o termo “universidade” deve ser mais bem empenhado tanto na sua natureza de diversidade, pluralidade na sua grade cursos, como na atenção as demandas sociais das comunidades que atue praticando o ensino, pesquisa e “extensão”, principalmente quando o dinheiro público financia as decisões tomadas na academia, colocando a sociedade como receptora dos benefícios ou prejuízos de tais definições.