quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Escola e a Independência do Brasil. Projeto trabalha formação política na escola

 
Dhiogo Rezende para o educAÇÃO BR


Em qualquer nação edificada na conquista da democracia, a mesma é ou se tornará o reflexo das relações que seus cidadãos têm com o processo eleitoral. Assim, somos o que escolhemos para a nossa população, o país é ou será o resultado das urnas. Ao escolhermos péssimos candidatos, ou nem se quer escolhemos (outros podem escolher para nós), ou não sabemos as funções dos cargos políticos e como funcionam os governos ou ainda pior, vendemos o voto, a nossa nação, nossa pátria será espelho dos erros cometidos nas eleições.
A democracia é uma grande conquista da humanidade, um direito pleno na nossa vida política e social, um poder acessível a todos que constituem nossa sociedade, como todo poder trás responsabilidades, “o poder do povo” não é diferente. Saber usá-lo é deveras importante para o bem coletivo, o bem estar social.
A corrupção é o “anticristo da república” e muitos brasileiros deixam-se levar por falta de informação, ausência de conhecimento, este que acessa a falta de consciência ou pela sua natureza corruptível, perdendo assim muitos benefícios reais para as suas famílias, vidas que tendem a continuar nas mesmas condições depois da eleição e o pior, há grandes chances de o mesmo processo se repetir após quatro anos e perdurar por gerações.
As escolas brasileiras que obviamente sofrem muito com os resultados ruins das urnas, da falta de verbas a manutenção da ignorância que refaz o ciclo da corrupção, contudo, ainda são espaços do saber, de luta contra todas as mazelas sociais. As instituições escolares têm o dever de trabalhar essa temática (conscientização política) trazendo reflexão, luz para um debate consciente que deve acontecer várias vezes ao longo dos quatro anos nas salas de aula, nas ruas, nas praças, casas e não somente no período pré-eleitoral.
Este projeto visa tornar a política propriamente dita, algo mais próximo da vida dos estudantes e de toda a comunidade escolar, levando-os a sair do estágio de “analfabetos políticos” e assim, os inserir definitivamente como eleitores, cidadãos que tem no dedo indicador e no titulo, o direito, a chance e o poder de mudar a realidade nacional, traçando o futuro (melhor) desta grande pátria que nos pariu. Esta oportunidade não pode ser desperdiçada com “verdes, brancos e vermelhos” cegos ou de má fé, a urna eleitoral não é uma lixeira, é preciso ter consciência para melhor escolher nossos caminhos.
 Projeto desenvolvido pelo Professor de História Dhiogo Rezende no Colégio Estadual Buriti em Buriti do Tocantins.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Escolas: dentro ou fora da eleição?


Do educAÇÃO BR
 
De dois em dois anos temos eleições em nosso país, as vésperas de mais um pleito, dessa vez para prefeitos e vereadores nos mais de cinco mil municípios brasileiros. Como a escola e seus componentes, orgãos normativos e executivos se comportam ou deveriam se portar diante de uma ocasião tão importante e até decisiva para o futuro, este que é também objeto de busca, de teoria e prática das instituições de ensino?

Se um futuro melhor depende diretamente do resultado das urnas, por isso o Brasil tornou-se o país do futuro que nunca chegou, pois a corrupção na politica nacional é uma inconveniente verdade, raiz ruim e forte da nossa história, quase um patrimônio do povo brasileiro. No nosso país tudo virou partido, tudo se tornou instrumento, aparelho para os que já detém poder continuar seus projetos pessoais ou oligárquicos. A escola, assim como as igrejas, sindicatos, associações, institutos, organizações não governamentais, instituições públicas ou privadas dão as costas para seus reais propósitos e ficam de frente para eles, os donos dos nossos destinos.

A escola seria um vetor poderoso na luta contra esse sistema, talvez por isso, a educação é a área mais atacada, a mais sucateada e desmantelada, pois a escola cumprindo o seu papel é nociva, é deveras perigosa, um coquetel molotov para os esquemas sujos da corrupção, pois professores que ensinam o que deve ser ensinado e estudantes que aprendem o que deve ser apreendido tem tradução direta nas urnas. A representação dessa frente de combate a luz do saber, está em nossa própria história, não a escrita pelos dominantes, mas a que pode afirmar e analisar o exemplo de os ditadores retirarem do currículo da educação básica no regime militar as disciplinas de filosofia e sociologia. 

Mesmo com o advento da nova constituição, “a democrática”, velhos vícios, cacos do passado ainda cortam nossos direitos, nossas almas iludidas com a redemocratização permanecem as sombras. As escolas brasileiras do século XXI ainda são vigiadas, ainda são controladas por uma ditatura branca, professores ou gestores idealistas com projetos que objetivam desenvolver o censo crítico, a formação politica dos estudantes, estes profissionais são assediados, enrolados, coagidos, mal interpretados e eliminados de proposito por “canalhocratas” das secretarias de educação que não fazem politicas públicas e sim partidárias, meros objetos das altas cúpulas na manutenção do poder de uns poucos que já são muitos.

Assim, a conclusão é que as escolas estão dentro até o talo das eleições, quando usadas para fins não interessantes e nada éticos ao papel original que uma escola guarda na sua razão de existir. Quanto mais dentro das eleições as escolas ficam nesse sentido, o contrário, mais longe, mais fora ficam os direitos, mais excluídos ficam os que precisam dela e de seus verdadeiros propósitos, o povo, a comunidade escolar se perde em meios às eleições.

 

 

 

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Volta às aulas, não voltam os estudantes!


Volta às aulas, não voltam os estudantes, mas VOTAM os mesmos estudantes. 


Do educAÇÃO BR

Volta às aulas no Brasil e a vida estudantil como ela é, no calendário letivo da educação estadual do Tocantins, por exemplo, as aulas deveriam iniciar no dia primeiro de agosto, mas em muitos municípios e escolas deste ente caçula da federação, os estudantes auto decretaram extensão das férias, gozarão mais alguns dias, a previsão que o 2º semestre inicie então na próxima segunda, dia 6 de agosto, fora as diversas unidades das federais que estão em greve, dias que com certeza farão falta, sempre fazem.

Não seria nada leviano publicar que o mesmo que acontece no Tocantins vem acontecendo em outras regiões do país, o fato é que está bem claro que nossos jovens têm passado por um processo de esvaziamento mental ou empobrecimento formativo regado as futilidades e alienações de todas as cores postadas pelos meninos e meninas no facebook, as aprovações automáticas, a alavancada de cursos de curtíssima duração, as facilidades para ingressar nas universidades através do Enem, prouni e fies ou mesmo da elevação financeira das famílias brasileiras que estão podendo pagar mensalidades de faculdades do tipo “varejão do ensino” aumentaram. Mas com tais facilidades surgiram descasos, omissões, falta de foco ou objetivos minimamente sérios da nossa juventude e com isso um grande bolsão de precariedade na qualidade da nossa educação como um todo.

Os professores, rendidos e preocupados nas escolas já enfrentam o estresse de ter que pagar ou não essas aulas depois, mesmo comparecendo ao local de trabalho, as férias continuam para os discentes, mas para os docentes a trégua findou, irritações e pensamentos do que fazer com a outra metade do ano para tentar melhorar o nível dos nossos jovens gozadores voltaram com todo gás, metade esta que será ainda menor por conta do período eleitoral, pois infelizmente sabemos que nossa educação, nossas escolas tornam-se, na verdade são espaços de disputa politica nada salutar nos municípios, principalmente os pequenos, nesse contexto, as aulas e o cotidiano letivo sempre sofrem perturbações, pressões ou aliciamentos da normalidade das aulas.  Eis um grande problema. Volta às aulas, não voltam os estudantes, mas VOTAM os mesmos estudantes.


quinta-feira, 21 de junho de 2012

A aniquilação dos cadernos – A opressão pelas mãos dos oprimidos


RITUAL DOS CADERNOS DESTRUIDOS É PRÁTICA COMUM PARA ESTUDANTES DE VÁRIAS CIDADES BRASILEIRAS.


Frente de escola pública de "algum lugar" do interior do nosso Brasil - Foto: Dhiogo Rezende




Do educAÇÃO BR

Através dos tempos, os humanos construíram tudo que lhes rodeiam, elementos materiais e imateriais são frutos do pensar e fazer, estes que se denominam e constituiem-se na cultura humana. Segundo Edward B. Tylor, a cultura é “aquele todo complexo que inclui o conhecimento, as crenças, a arte, a moral, a lei, os costumes e todos os outros hábitos e aptidões adquiridos pelo homem como membro da sociedade”.

Na observação dos aspectos culturais, além da história, geografia, um ramo de outras ciências da sociedade brotou fortemente durante o século XIX, a antropologia e a sociologia ganharam notoriedade ao pautar como objeto de estudo o comportamento estritamente humano, análises que servem de base para outras áreas como a psicologia e a pedagogia, todas correlacionadas no objetivo de entender a complexidade do “bicho homem” e a sua relação bilateral com o meio natural e social.

A partir da ideia de que só é possível refletir e entender a realidade observando-a e analisando-a, o educAÇÃO BR traz uma matéria sobre comportamento estudantil dos nossos jovens, a “aniquilação dos cadernos” pode ser uma fonte para reafirmação de uma tese que já está até bem batida entre os educadores e estudiosos brasileiros, a de que a nossa educação passa há tempos por uma crise com causas históricas e culturais que deterioram o nosso presente e ameaça o futuro das próximas gerações do nosso país.

Já que temos razões históricas na construção dessa "educação" do nosso povo, não é incompreensível o analfabetismo das gerações anteriores e o funcional das atuais, o fato de que hoje a maioria das nossas crianças frequenta a escola não muda este paradigma, a escola sobre as rédeas governamentais se preocupa mais com números do que com qualidade, pois a nossa formação, desde o modelo jesuíta é segregada, separatista entre a educação de elite e a de massa. O acesso pode ter mudado, mas a qualidade formativa continua a mesma, o que é bom, melhor, é destinado e controlado pela elite que usa seu poder para sua manutenção, esta que implica em sucatear aquilo que está destinado ao "bem público".
Restos de cadernos de anos anteriores em cima de telhado da escola.
Este costume que não é isolado no país, a destruição dos cadernos como comemoração de algo extasiante, uma conquista, o prazer de se livrar daquilo que para nossos estudantes é uma tortura, um terror, a “maldita escola”, o “repugnante conhecimento”. A elite de forma inconsciente ou muito consciente também deve comemorar, devem estourar champanhes pelo mesmo motivo, mas na visão de que a massa, está dominada de tal forma,  que faz direitinho o seu autoflagelo, os opressores dão os chicotes e não precisam se preocupar, a massa se auto chicoteia com paradoxos ares de “liberdade”.   

É de se convir que os nossos meninos e meninos seja qual for o nível econômico e social, não são muito apaixonados pela escola, mas o ato ritualístico da “aniquilação dos cadernos” é que nos traz as devidas distinções. Não vemos esse comportamento grupal, tradicional de destruição de objetos particulares por jovens de escolas particulares de elite, eles demonstram seu alivio de se livrar “momentaneamente” não da escola, mas das aulas, não do conhecimento, mas da rotina desgastante para qualquer ser humano que na escola recebe a devida pressão, carga de responsabilidade sobre os afazeres escolares que constroem o seu ser.

Na escola dos dominados, dos oprimidos, os cadernos destruídos duas vezes por ano a cada fim de semestre, sujando as escolas, as ruas das cidades é só o clímax das várias demonstrações durante o ano letivo que fazem tal escola ser uma instituição de oprimidos que se oprimem de forma autossustentável, uma espécie de “fogo amigo”.

“Alunos” de todos os níveis, inclusive do ensino médio, que recebem livros do governo de todas as disciplinas (livros caros para os cofres públicos) e brigam, reclamam com os professores no levar ou não para as aulas, alegando ser um sacrifício carregá-los, que por não terem o costume de ler, odeiam os professores que passam grandes textos ou provas com duas ou mais páginas, que autoproclamam a extensão das férias por mais dias, não indo para escola em plena retomada das aulas, que torcem e vibram quando um professor falta (mesmo que seja por motivos de doença), que fazem perguntas todos os dias, como qual a disciplina do professor, qual a data, se é ou não é para escrever, que não sabem olhar o índice dos livros e perguntam quais as páginas para estudar para a prova, às vezes no mesmo dia da prova, que não sabem responder perguntas com suas próprias palavras, tendo que sempre recorrer a “copias e colas” dos textos dos livros, quando não dos colegas, que brincam com a merenda a estragando, sem ter a minima sensibilidade para a fome de muitos que são de sua convivência.

Em fim, “estudantes” que não estudam, que até na última série do ensino médio não sabem ler e nem escrever direito, que odeiam os professores que tem domínio do conteúdo, que pressionam por resultados, que fazem cobranças, que ensinam de verdade, estes para eles são os piores professores, os bons são os que não dão aula, os de quadro e giz, estes, é só esperarem tediosamente a aula acabar, um tempo menos agressivo.  Estes são os jovens da massa que vão competir com os da elite nas vagas dos melhores cursos que estão nas universidades públicas através do ENEM, exame que conta com 180 questões, com textos de todas as disciplinas mais uma redação. O sistema é excludente desde sempre, mas não é tão desigual, pois com todas as desgraças, no presente, muito mais do que no passado, a massa tem certo acesso como dito antes, o que falta é o povo eliminar vícios e síndromes da pobreza de mentalidade e criar uma cultura do querer crescer mais e deixar a de querer ser coitadinho.
Lista de livros proibidos pela Igreja Católica na idade média
Fazendo curiosos paralelos com a história, temos os fatos de na idade média a igreja católica ter criado uma lista proibida de livros, o Index Librorum Prohibitorum e no século XX os nazistas organizarem uma grande queima de livros, também proibidos, em Berlim no ano de 1933. Livros, pensamentos de pessoas perigosas para manutenção dos poderes desses dominantes, subversivos a estes regimes opressores. Fatos que mostram que em algumas vezes os dominantes tiveram que sujar as mãos, cometeram tais atos para por seus planos de dominação em prática, o que nos leva a pensar que os nossos dominantes aqui, não precisam se esforçar para manter a massa no seu devido lugar, não precisam acender fogueiras e destruir as armas do povo, aqui os dominados fazem o favor de tirarem de seus carrascos este trabalho.
Queima de livros em Berlim na Alemanha Nazista
Assim, através deste ritual, podemos mensurar o nível de alienação dos nossos jovens, de falta de critica, de percepção da sua própria existência oprimida visivel na relação entre os cadernos de matérias que custam R$ 15,00 em média e famílias que às vezes passam necessidades ou dependem de bolsas do governo, pois só se conserva de forma consciente aquilo que tem algum valor significativo para o individuo, os cadernos são apenas o símbolo, o brasão que representa aquilo que eles odeiam, a escola, o conhecimento, contraditoriamente a oportunidade de eles crescerem.
 Música - O Caderno. Toquinho.

Para os que ainda creem na única mudança justa e possível para o crescimento real do nosso país, não somente o temporário elevar da nossa economia, mas o que seja traduzido na verdadeira ascensão que somente será feita pela via da educação, fica a reflexão sobre este rito dos nossos estudantes e uma esperança que deve casar de vez com a prática, para que um dia os cadernos, a escola, o conhecimento do nosso povo, sejam guardados com devido valor, e que um pedido ecoe nas nossas consciências, como aquele da música do caderno de Toquinho, que diz - “não me esqueça num canto qualquer...”.

  

domingo, 10 de junho de 2012

A educação frente a conjuntura neoliberal



"a maturação ou não do processo educador será a chave que tanto abrirá como fechará portas dentro do desenvolvimento da humanidade." 


A construção do pensamento através dos tempos definiu no nosso presente, caminhos e barreiras para posteridade, deixando a compreensão do futuro como a imagem refletida das mudanças paradigmáticas efetivadas na atualidade. A educação surge como, ou deve ser o núcleo agente das proposições que alteram as concepções na transição dos paradigmas tradicionais para os emergentes.

O paradigma tradicional se constitui no conjunto de concepções e práticas relativas ao modo de vida e produção da humanidade fundada na divisão social, edificando um sistema imperativo das desigualdades geradas pela exploração do capital, contrapondo este paradigma, surgem através do conflito natural e ideológico, concepções que tentam fazer correções através do entendimento da realidade construída para que essa sucumba diante de um mundo ideal formado no paradigma dito emergente.

As mudanças politicas, sociais, econômicas e culturais refletem nas práticas educacionais, o paradigma dominante passa por um processo de transição e de resistência na sua substituição pelo paradigma emergente em função de mudanças no contexto politico que agem de forma central na educação. Novas medidas precisam ser tomadas para que a educação não seja definida ao van gosto de um projeto neoliberal que inviabilize as necessárias transformações paradigmáticas emergentes.

Neste contexto neoliberal, o professor é vitima, mas também algoz, quando na posição de opressor, o educador pode não ter essa estirpe de forma consciente e assim, ser uma espécie de vitima produtora de outras vitimas. O educador dentro deste processo acaba sendo colocado como um missionário e não como um mero profissional, se tornando um alvo e ao mesmo tempo a flecha deste sistema de opressão. 

Observamos assim que as amarras do crescimento para um mundo ideal, pensado pelos subversivos a este sistema, existem e ainda são muito fortes e lutam obstinadamente contra as forças opositoras, essas que devem ou deveriam compor o papel do educador e principalmente dos gestores da educação, estes que na teoria e prática podem se agigantar frente às leis do mercado liberal nos trazendo o exemplo prático das tentativas fracassadas das ideologias comunistas e práticas socialistas que mais teceram um sonho do que uma realidade.

As mudanças aconteceram, mas o educador teve suas ferramentas travadas de tal forma que a escola não conseguiu desempenhar o papel de agente transformador da sociedade. Cursos são oferecidos, mas sobre as rédeas do poder político de modo tal que estes cursos não causam ascensão econômica.

Este tipo de atitude fez com que o ofício de professor não fosse nada convidativo devido a uma série de dificuldades que com o sistema neoliberal apenas se multiplicaram, e o professor, que na lógica devia exercer tantas outras funções (conselheiro, sacerdote, psicólogo), fica sendo apenas um cumpridor de expediente que se esforça por cumprir seu conteúdo programático. 

Após o fim da bipolarização, causado pela falta de maturidade e respeito à própria ideologia de “esquerda” como também pelos golpes deferidos pela “direita” na guerra fria, a nova ordem mundial agrediu quase mortalmente a utopia e os educadores que passaram pela crise como elementos que já compunham e ensaiavam a atualidade que passa por diversas dificuldades primeiramente de entendimento e compreensão dos graus de opressão e depois as deficiências de análise e efetiva posição critica pela indignação que possa gerar mudanças na ponte dos paradigmas tradicional e emergente. 

No contexto do neoliberalismo, podemos observar uma divisão entre os educadores no sistema público de ensino: escolas para formar mão-de-obra qualificada, como por exemplo, os colégios técnicos e militares, nos quais o profissional dentro da sua carga horária tem mais tempo para planejar suas aulas e se dedicar a pesquisa. Enquanto na educação básica regular os profissionais tem uma carga horária excessiva, além de uma considerável desvantagem na questão salarial.
Portanto as escolas públicas são divididas em escolas para formar mão de obra qualificada e mão de obra barata.

Dentro do que foi apresentado, percebe-se que para se estruturar realmente uma postura significativa e de resultados consistentes, o educador/gestor deve se perceber como agente transformador, e assim, poderá fugir da realidade apresentada pelo universo pontuado pela conjuntura neoliberal, e está realmente, mesmo que ainda incerto o seu papel na construção ou mesmo de conciliador de uma sociedade pautada nos novos paradigmas que se configuram nas expectativas do melhor mundo possível. 

Não podemos, no entanto, ver os novos paradigmas (emergentes), como única possibilidade, ou mesmo como livres dos velhos vícios que se perpetuam com outras configurações. Assim a educação e seus agentes por definição são elementos indispensáveis no estudo e na teorização que baseiam a formação de novas concepções, a maturação ou não do processo educador será a chave que tanto abrirá como fechará portas dentro do desenvolvimento da humanidade.  

Autores: 
Antônio Jadson Gomes, Antônio Valdemari, Dhiogo Rezende, Jorge Kitchell Pinheiro e Moisés Carvalho Costa.


quinta-feira, 17 de maio de 2012

A Cruz da Educação no Brasil. Entre a dominação e a subversão.


Do educAÇÃO BR

Dhiogo Rezende. Professor de História

A educação brasileira tem suas raízes na formação religiosa, todo bom estudante de história sabe que no período colonial a influencia da igreja católica foi fundamental para constituição de um modelo inaugural da nossa estrutura de ensino e aprendizagem. 
Padre Antonio Vieira
Os jesuítas foram nossos primeiros professores a partir de 1549, os indígenas e colonos, os primeiros alunos, termo bem peculiar ao modelo de ensino, aluno que do latim significa “sem luz”, assim o professor (um padre) o iluminava com a tocha da fé. Uma educação religiosa, voltada para os costumes e valores de uma sociedade patriarcal, hierarquizada, escravista, sobretudo católica apostólica romana.

Uma educação imposta a chumbo ou a ferro frio das espadas é marco inicial da nossa “civilização”, dos nossos nativos, a massa vai seguir com essa estrutura educacional até o fim do Brasil colonial e entrará no Brasil independente ainda muito dependente deste modelo civilizador que anulava o crescimento intelectual e critico de uma sociedade que já começara a despertar timidamente seus sentimentos nacionais.

A educação mais formal e culta, de cunho acadêmico pertencia à elite, aos seus filhos que no Brasil tinham ensino diferenciado e que atravessavam o atlântico para se formarem, voltarem e continuarem a dominação, herança de seus pais construida com o suor e sangue de nativos e negros escravos.

Estas raízes da nossa educação, vão influenciar o futuro da nossa sociedade, ainda vivem na atualidade brasileira os prejuízos educacionais decorrentes dessa má formação, está nos nossos índices, no atraso intelectual do nosso povo, na corrupção, nas desigualdades, na alienação e opressão do nosso sistema politico social.

O direito a educação que hoje é quase universal, foi sendo diluído a conta gotas na nossa história, o ensino sempre foi bem distinto e separado, a educação de elite oposta a educação de massa, segundo dados do IBGE, em 1900, o analfabetismo da população brasileira chegava aos 65%. A vinda da família real, a independência com os dois impérios, o processo abolicionista e parte da república não fizeram jus aos avanços sócios educacionais que na teoria estes períodos representavam e poderiam trazer.  

Somente com a revolução de 1930 e o inicio da era Vargas, vamos ter uma legislação mais seria em torno de uma educação para todos os brasileiros, pela primeira vez na constituição de 1934, a educação aparece como dever do estado e da família, a garantia de uma educação popular realmente de qualidade será um sonho, os vícios coloniais, da republica velha e seu coronelismo ainda vão impregnar a sociedade que nunca deixou de ser dividida pelas condições históricas e fatores socioeconômicos.

O populista, além de inaugurar o ministério do trabalho, o fez também na pasta da educação, nos surtos de industrialização a partir de Vargas, teremos um empenho maior na educação profissionalizante, é preciso criar trabalhadores, mas a instrução não poderia ser mais profunda, trabalhadores pensantes não seriam interessantes. Assim seguimos, de Vargas a Juscelino, de Quadros a Jango, com avanços e atrasos, chegamos ao regime militar de 64 e os anos de chumbo tornaram-se responsáveis por colocar mais uma vez nossa educação, o censo critico, o crescimento intelectual e direitos e liberdades constitucionais na cova.

As diretas já e a redemocratização vão representar o renascimento intelectual e politico consciente que fecundou na atuação de jovens estudantes e militantes “vermelhos” que sofreram tortura, foram exilados ou mortos pelo regime de presidentes fardados que criaram um sistema de repressão e de alienação da população, esta que passou a meia luz pelo regime.

Os que ousaram lutar contra o regime não tinham somente os militares como inimigos, tinham no lado oposto a sociedade de formação conformista e alienada, de raízes catequéticas, oprimida pelos atores da elite que escreveram a nossa historia ao seu van gosto. Dentre esses atores, tínhamos mais uma vez na nossa história a cruz que ficará do lado contrário aos ideais carregados pelo pai do cristianismo e filho de Deus.

A igreja católica vai apoiar o regime militar com sua alienação doutrinária e omissão perante a tortura, aos assassinatos, atentados aos direitos humanos fazendo uma refilmagem de uma de suas maiores omissões, o holocausto na segunda guerra, sem contar os pecados do vaticano perante a escravidão e o subjugo de milhões de africanos. 

Mas não teremos somente demônios, anjos aparecem neste cenário, jovens padres de ordens como a dominicana serão exemplos raros de sacerdotes interessados no verdadeiro evangelho que vão unir-se a causa dos oprimidos e vão lutar, participar da "guerrilha" contra o regime servindo a Aliança Libertadora Nacional do famoso lider Carlos Mariguella, exemplos como Frei Tito e Frei Beto, entre outros que também foram vitimas e correram risco de morte por acreditarem que se entregar por uma causa justa era a verdadeira comunhão e missão cristã.
Cartaz do filme que mostra a história de freis dominicanos que lutaram contra ditadura militar.
Ordens renovadas, alas carismáticas, teologias politizadoras e da libertação vão balançar a estrutura da igreja católica que estava às portas do século XXI, o surgimento da Comissão Pastoral da Terra que atuará na defesa dos desterrados e oprimidos pelo latifúndio vai mostrar a boa face da milenar instituição religiosa no seio dos seus fieis na sociedade, principalmente do Brasil rural nas décadas de 70 e 80, época de eclosão de conflitos agrários sangrentos.

Neste contexto surge uma personagem interessante e polemica no interior do Brasil, na fervida região do Bico do Papagaio, antigo norte goiano e estado do Tocantins atualmente. Trata-se da figura do Padre Josimo, negro e de origem pobre que desafiou as rédeas do seu provável destino e juntou a lei de Deus a lei dos homens em busca de justiça real para os homens, mulheres e crianças que aqui padeciam.

Neste caso, a formação não foi a reprodução jesuítica, outros tempos, outros seminários, Josimo estudou filosofia, letras, teve formação para pedagogia, tornou-se padre, tornou-se professor e educador.  Atuava na igreja como padre evangelista e não dissociava a sua função espiritual da politica e social, enfrentou protestos de parte dos fieis ligados aos grandes fazendeiros ou mesmo daqueles que simplesmente não acostumados com pregações carregadas de censo critico e social na igreja, entravam em conflito de entendimento, se aquilo que o padre falava era ou não coisas de Deus.
Padre Josimo, assassinado em Imperatriz do Maranhão em 1986

A igreja sempre foi uma instituição politica, seja em qualquer religião, a sua “casa de fé” é organizada por pessoas e seus interesses coletivos ou individuais, em nome de Deus ou dos homens, doutrina as mentes, molda costumes sociais, é voz forte e atuante no intimo das famílias e da comunidade como um todo, age fortemente até mesmo nas vidas daqueles que nem são seguidores ou fieis. 
Irmã Doroty, assassinada em Aanapú no Pará em 2005
 O Padre Josimo, a Irmã Doroty e outros entes eclesiásticos cometeram o crime de serem agentes políticos dentro do espaço religioso e pagaram com suas vidas, praticaram o que sua igreja institucionalmente sempre fez, só que o problema está em agir politicamente a favor de quem e contra quem. Atuaram em vida assim como seu maior mestre, Jesus Cristo que se levantou contra o poder dominante dos romanos e da alta cúpula do judaísmo, Cristo foi crucificado por subverter o império da exploração e da palavra dos mais fortes sobre o sussurro dos mais fracos.

A religião é necessária ao ser humano assim como a educação, ensina valores, ensina a viver, reflete sobre o certo e o errado, os dois termos se confundem na sua razão e significado, religião e educação coexistem, inexistem separadas. Como tudo na história depende do tempo e espaço, dos atores envolvidos, quem conta e quem ouvi, quem manda e quem obedece, quem tem o poder e as condições de escrever e determinar a própria história e interpretar ao seu sabor os fatos, quem tem o poder da fé, de tê-la e de usa-la, como e para quê usá-la, a religião e a educação são agentes de um relativismo histórico.

Nessa batalha de construção da fé e da razão, há sempre espaço para discursos de alienação e em contrapartida de subversão, de combate do oprimido ao opressor, um jogo eterno com peças de teses e antíteses onde a educação e religião estão sempre do mesmo lado sendo usadas para o bem e para o mal, para serem chaves que abrem ou fecham as portas da controvertida humanidade.