terça-feira, 19 de março de 2013

Bárbara Educação - Te pego na saída!

Em menos de duas semanas, duas brigas de estudantes são marcadas na saída da escola em Tocantinópolis - TO. Está virando ou já é moda desde muito, muito tempo na nossa história?

Do educAÇÃO BR  

Vídeo da briga: http://www.facebook.com/photo.php?v=597498673612237
Fonte:  http://www.tocnoticias.com.br/ler_noticia.php?idnoticia=3807

O Império Romano forte e centralizado, por séculos dominou, explorou, expandiu-se pela Europa, África e Ásia, até que vários golpes lhes foram desferidos. Crises econômicas e políticas, corrupção, conspirações, fragmentações do poder e um poderoso golpe mortal: as invasões de povos bárbaros que derrubaram esse gigante da antiguidade no século V d.C. Os romanos no ar do seu etnocentrismo que encontrava sempre no diferente uma oportunidade e quase uma obrigação de transformá-lo a sua semelhança, instaurava-se a “romanização” dos conquistados.

Até que povos ameaçadores da sua supremacia mostraram-se resistentes e ofensivos, estes povos, diferentes como qualquer outro aos olhos dos filhos de Rômulo e Remo, em especial, chamados de bárbaros pela boca de Roma, além de não terem a cultura romana, não falarem latim, eram destemidos e insistentes com seus saques, incêndios, matança e na conclusão do fim deste grandioso e famigerado império clássico da nossa história antiga.

As palavras com seu poder eternizam-se pelo tempo, o bárbaro passou a ser sinônimo de incivilizado, bruto, violento, independente da alcunha original, seja godo, visigodo, germânico, franco, ou “vândalo”. A barbarie será conceituada relativamente aos seus usuários e na definição do que é bárbaro ou não, estará se pesando as concepções das características que forjaram a palavra. Independente do observador, a violência será um alicerce comum na definição do que é bárbaro.

Entretanto, a violência dependendo do contexto, pode ser mais ou menos, aceitável ou inaceitável, mas ainda sim violência, essa ponderação trará ou não o termo à tona. O entendimento que violência é violência e ponto final será uma dificil tarefa da humanidade, acostumada com "tapinhas que não doem". Por exemplo, quem eram os antigos romanos que se divertiam com a carnificina entre gladiadores e feras no Coliseu para definir qualquer povo como bárbaro? A barbaridade está com quem?

De fato, os romanos não forjaram juntamente ao emprego do nome as características do que hoje conhecemos como peculiares do que é "bárbaro" no século V, estas foram gradualmente criadas e absorvidas na dor e no fracasso de um imperio decadente que ao menos nos sentimentos etnológicos queria ferir os povos causadores da sua sucumbência. O tempo passou, o cristianismo se fortaleceu, as mais variadas religiões se estabeleceram com suas doutrinas de respeito e harmonia na convivência humana em convergência (até certos pontos) e a educação que sempre foi égide nas civilizações clássicas, mesmo sofrendo com as mazelas da idade média, não exclusivas desta era, a educação seguiu atacada de forma sempre atualizada, todos os dias, mas pela sua constituição, sempre foi idealizada e objeto de realização da sociedade consciente.

A singular cultura humana, desde o paleolítico, existe e se perpetua pela aprendizagem, somos antes de qualquer coisa - aprendizes. Na antiguidade, a escola surgiu na tutela de pensadores, filósofos que sabiam a necessidade de institucionalizar e registrar materialmente além de mentalmente o saber ou a sua busca. A civilização emerge dessa engrenagem, da capacidade de aprender e de organização humana, sendo o controle dos meios de produção e reprodução do saber diretamente ligado às injustiças, aos desmandos, as desigualdades e ao afundamento da humanidade, assim sendo, a educação como um marco equalizador do nosso estágio de civilidade, o seu acesso, desde sempre é a diferença entre a opressão e o lutar do oprimido que bem sabe as razões da sua escravidão e por isso sabe que não a quer, a educação é o sistema, a máquina principal das transformações positivas na história da humanidade.

No correr do século XXI, ao depararmos com cenas reais, às vezes muito mais chocantes do que a ficção mais terrível, justamente por assim não serem, são reais e estão em qualquer esquina, remetemos logo a situação de barbárie que nos encontramos e que antes parecia um passado das páginas dos livros de história. Torcidas que se matam nos estádios dependendo ou não do placar, as violências decorrentes do trânsito, das vaidades misturadas ao álcool, da intolerância religiosa, sexual, de gênero, distinções absurdas de pessoas na fundamentação da "religião da guerra", feitas por fanáticos donos das verdades de Deus e da terra, que propagam o ódio que gera a ignorância (não necessariamente nessa ordem), crianças e adolescentes que no sair da escola adentram na “guerra do fogo”, na sua versão sem sentido, sem objetivo, sem causas e com muitas consequências.

Jovens que vão para a escola e de lá saem sem saber português, matemática, história, geografia, ler e escrever direito, sem saber pensar na vida e na humanidade, inconscientes de si e dos outros, entregando-se aos nossos instintos mais primitivos, sendo dominados por eles e servindo de espetáculo para deleite de dezenas que como eles se desumanizam a cada grito, a cada pulo, a cada acesso neste futuro digital das redes que apressadas tecem uma conexão com o passado, a passos largos que nos levam de volta às cavernas pós históricas da involução. 







segunda-feira, 11 de março de 2013

Sala de Aula. O professor de história na abordagem do tema religião.

"na escola, quanto mais diverso for o olhar religioso, menos proselitismo, menos ataques, menos defesas, mais conhecimento."  

Do educAÇÃO BR


Entendendo nossa história, entenderemos nossa formação etnocêntrica, aprendemos a julgar pelas tutelas de quem historicamente nos subjugou no nosso passado quinhentista colonial, acostumamos a olhar o diferente não apenas como o que ele é de fato, diferente. Vamos além, é diferentemente feio, inferior, pobre, errado, subversivo, na contramão do progresso, uma pedra no nosso caminho. O diferente sempre esteve na nossa frente, "nenhum ser humano é uma ilha", o contato é tão natural quanto o estranhamento gerado por ele, mas não podemos conceber que o natural também seja um humano destruir o outro por motivações analiticamente banais, isto se faz inversamente as nossas capacidades, as faculdades humanas que nos tornam únicos diante de todos os animais, é só atentar para o fato que dentre todas as espécies, somos a única que se autodestrói, então somos tão ou mais animais que os outros animais?

Éramos mais humanos no sentido racional e de solidariedade quando o sapiens ainda não nos tinha chegado como alcunha? Não, nem assim, nossos ancestrais poderiam ser mais harmônicos internamente em seus grupos, mas a competição pela sobrevivência, pelo domínio do fogo, depois pelas terras agricultáveis era massacrante, o sujar as mãos com sangue da mesma espécie já estava escrito nas nossas primeiras páginas, sempre fomos conquistadores uns dos outros, do corpo ou da mente. Seria a versão evolucionista, por tanto não teológica da expulsão do paraiso e depois Caim matou Abel?

Antes de falar do espiritual, o professor precisa centrar os estudantes da constituição humana, primeiro, quem é este bicho-homem? Depois, o que é a religião? A religião não criou o homem, este é que a fez, e a construiu em cima das suas necessidades, do processo de significação do que para ele tem significado, somos fruto da nossa capacidade de ser o que precisamos ser. Estaríamos a partir de então matando o conceito de religião e a sua importância?

Logicamente que este tipo de abordagem baterá de frente com tudo que lhes foi dito desde sempre, há explicações religiosas, teológicas para a criação, aparecemos então como criatura, e se assim somos, temos então um criador – DEUS, quem veio primeiro, o ovo ou galinha? Entretanto é neste choque que pode residir uma boa aula e isenta de doutrinações, de enfraquecimento ou recrudescimento da fé, ou da razão cientifica. As bases antes divididas, na aula, na escola composta pelo pluralismo cultural, estas dicotomias devem assentar o mesmo banco para depois os próprios estudantes, partindo de suas construções e formações de berço, possam falar, debater, discutir, criticar, se enganar, se acertar segundo seus juízos.

- Professor, o senhor acredita em Deus?
O professor de história, filosofia, ou sociologia carrega a peculiaridade da capa de ateu, da roupa de não cristão, podem ser, podem não ser, mas a imagem, os estereótipos já estão postos pelo mesmo processo que consta na introdução deste texto, diante deste etnocentrismo nato, é que mora ainda mais a necessidade deste professor desnudar a sala de vícios de pensamentos apologéticos ou repressores do livre pensar, é preciso o entendimento de quê religioso ou não, o processo de conhecimento, de qualquer área filosófica ou da ciência, das religiões, precisa de certo desarmamento para ao menos haver a escuta primeiramente que a fala e seus juízos verbalizados para desconstruções ou construções, transformando a sala de aula em um ringue entre os que têm religião e os que não têm, mandando a mediação do professor para escanteio.

Conhecendo-se o humano, conhece-se a religião e as ideias de Deus em toda sua pluralidade, cada estudante deve aprender a conhecer sem querer impor o que os outros devem conhecer. Ninguém deve conhecer necessariamente como o outro, ou o que o outro conhece. O humano inconcluso, fraco, passivo de erros, falho, animal, deve ser conhecido pelos discentes, nada de “super-homens” da ciência ou da religião, o demasiado humano deve ser visto a olho nu.

Ao professor cabe empinar essa pipa, deixá-la no céu visível a todos, a linha também deve ser passada a todos os estudantes, na sua hora, na sua ideia, na sua mente, ela vai para onde eles quiserem, o importante é não ser o dono da pipa, da verdade.

Aprendendo a não julgar, ou a julgar melhor, com respeito e análise coerente e ética, estaremos de fato introduzindo na escola os pilares das religiões como um todo, já estará se ensinando religião como área de conhecimento e usando em loco uma de suas práticas, já que a mesma foi feita pelos homens e não por Deus, a religião filha de seu criador é naturalmente falha, mas carregada de acertos e caminhos harmoniosos, acontecendo isto na sala, não estará se fazendo necessariamente um ato religioso estrito, pois não se estará “religando” nenhuma criatura a algum criador, não se estará dando forma a isto, simplesmente a humanidade está sendo processada, a religião é tão humana como pode ser divina, e na escola, quanto mais diverso for o olhar religioso, menos proselitismo, menos ataques, menos defesas, mais conhecimento.  

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Professores desabafam contra Governo de Eduardo Campos (PE) nas redes sociais

Foto de um dos últimos protestos nas rua de Recife-PE
Do educAÇÃO BR


O Desabafo abaixo foi veiculado nas redes sociais por lideres do MOPROPE, Movimento Organizado dos Professores de Pernambuco que desde 2009 tenta continuar uma luta bastante desigual, de cidadãos contra um governo que na pessoa de seu governador esmaga o que lhe convém, mesmo que isso quebre a lei, tudo apoiado nos seus altos índices de popularidade. É importante se ater que políticos (Principalmente no Brasil) podem usar a máquina, o poder da mídia e da propaganda para se manterem no poder, criando uma literal ficção referente às realizações da gestão, mas a prática pode ser inversa, os fatos até que mostram, estão expostos (quando dá) por ai, só que muitos "olhos pernambucanos" foram adestrados para não ver "nada", aliás, veem "tudo", menos a verdade. O projeto é fazer o mesmo com o Brasil.
Eduardo Campos quer ser presidente, quem viver verá, será que verá mesmo?

Do Moprope - Acompanhe a trajétória de luta acessando: http://moprope.zip.net/

Esperávamos que o Governador do estado de Pernambuco, Eduardo Campos, fosse o que afirma ser: socialista e defensor das causas sociais. Puro engano, governa o estado a mãos de ferro, tem ampla e total influência no TJPE e MPPE e dessa forma consegue rasgar a Carta Magna de 1988 (Constituição Federal), mantendo, no estado, funcionários com contratos temporários que podem chegar até seis anos, enquanto existem pessoas concursadas e que aguardam até hoje serem convocadas para assumir os postos.

Hoje houve uma reunião convocada pelo Secretário de Educação, Ricardo Dantas (PAU MANDADO, FANTOCHE ), para apresentar um posicionamento acerca do concurso da SEDUC 2008. O secretário reconheceu que há um déficit hoje no estado de Pernambuco de 1.200 Técnicos Educacionais e mais de 2.000 para Professores, porém, sarcasticamente, afirmou, em alto e bom tom, que o governo do estado reconhece a atual situação, mas não tem interesse em convocar os concursados, mantendo servidores contratados temporariamente, mesmo infringindo Normais Constitucionais. 

Que absurdo!!!!! FICA A SENSAÇÃO QUE NÃO EXISTE LEI NO NOSSO ESTADO... O que fazer diante desses homens que acham que podem passar por cima de tudo é de todos ...NOS AJUDEM DIVULGANDO ESSA VERGONHA NAS REDES SOCIAIS. 2014 VEM AI, EDUARDO. AGUARDE!!

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Curso de Pedagogia do Campo causa polêmica em Universidade.

UFT - Tocantinópolis - TO
Do educAÇÃO BR


            A recente implantação do Curso de Pedagogia do Campo com habilitação em música e artes, na Universidade Federal do Tocantins, campus de Tocantinópolis, este que antes tinha apenas dois cursos, Pedagogia e Ciências Sociais, ambos de licenciatura, esteve sobre dias turbulentos referentes a protestos, criticas agudas, defesas aguerridas no âmbito dos corpos docente e discente, e de outros críticos da comunidade.
O Brasil e seu passado agrícola, ainda presente, com séculos de colonização e todo contexto de maus tratos com os atores econômicos que sentavam nas mais inferiores camadas hierárquicas de um país moldado pelo escravismo, no regime do patriarcado aristocrático, do coronelismo, das oligarquias que pelo poder da terra até os dias atuais imprimem em nossa sociedade, ranços de preconceito e descompromisso ou agora exploradas pelo agronegócio, mesmo em tempos democráticos com as bases sociais que se fixaram e vivem ou sobrevivem do nosso campo.
Somente nos últimos anos, décadas, da redemocratização para cá, que a nossa educação entrou em um processo de reforma tanto de estado, como de aparelho administrativo e executivo, face mudanças na LDB, alterações que tentam tornar a nossa educação mais universal e comprometida com a justiça e inclusão social. E algumas mudanças podem incomodar, sempre podem ferir o estatuto da classe dominante, da elite que continua em suas devidas proporções ou “roupagens” a mesma de um Brasil que ficou “independente dependente”, com uma monarquia exclusivista, depois com um golpe da República que inventou uma democracia que só serviu e ainda serve a elite.
É só analisar uma conexão entre as várias criticas que receberam e ainda recebem politicas de cotas, de ingresso de jovens de baixa renda nas universidades federais, ao se misturarem com os filhos da elite, a aversão é entendível partindo do ponto vista do andar da nossa história, assim também ocorre com a implantação de um curso de pedagogia do Campo em detrimento de um de Direito, Medicina, Fisioterapia, ou outras formações consideradas elitistas.
Este discurso da “formação ideal” no Brasil sempre desqualificou as licenciaturas, a formação de professores é um caco de vidro, precária e incongruente com as demandas de qualidade no ensino e aprendizagem, os cursos que licenciam professores são ingressados por membros menos abastados da nossa sociedade, os descendentes dos que tem “posses” devem ter outra formação, os próprios pais, tanto os da elite quanto os de classes desfavorecidas tem o discurso de que o filho tem que ser “doutor”, o ser professor é carregado de preconceitos e desconfianças e muitas vezes colam na cabeça dos formandos em licenciatura e para tudo chegar a autodesvalorização da profissão ou não entendimento do papel do professor pelos próprios, é um pulo.
Mesmo que a universidade esteja enraizada em uma região com cheiro e cores do campo, mesmo nos espaços mais urbanizados das pequenas e médias cidades rodeadas de assentamentos, um curso de pedagogia do campo pode ser mal interpretado ou mesmo ignorado. É preciso entender as implicações politicas que escolhas de cursos como estes guardam, movimentos sociais de cunho acadêmico e políticos e às vezes partidários podem ser ingredientes destes processos que podem apresentar distorções, principalmente quando os interesses não sejam para as populações campestres, sobretudo uma formação que diretamente represente a melhoria de vida e qualidade no campo.
Há que se ater a casos particulares de cada universidade e seus contextos, a oferta de mais cursos e outros que chamem mais atenção dos jovens é por hora o único caminho para estes que não aprenderam e não entendem a importância das licenciaturas, muito menos uma voltada para o campo, até os viventes das zonas rurais, talvez queiram outras carreiras e nesta perspectiva isso pode ser ruim como também bom.
O campo no Brasil, as escolas que lá se erguem vivem outras dinâmicas, as cabeças pensam diferente das que estão em espaços mais urbanos, por isso é necessária uma pedagogia adequada, ou seja, um professor com esta formação, contudo, o termo “universidade” deve ser mais bem empenhado tanto na sua natureza de diversidade, pluralidade na sua grade cursos, como na atenção as demandas sociais das comunidades que atue praticando o ensino, pesquisa e “extensão”, principalmente quando o dinheiro público financia as decisões tomadas na academia, colocando a sociedade como receptora dos benefícios ou prejuízos de tais definições.






domingo, 23 de dezembro de 2012

O mito do “Ser Professor”, ainda brasileiro, ainda de escola pública.



Do educAÇÃO BR
Por Dhiogo Rezende

Que ser é este? Que sempre acredita em todos os estudantes, mas também entende que muitos não se acreditam. Ele vê muita vontade de aprender em muito poucos e pouquíssima vontade de conhecer em muitos. E ainda é desrespeitado e desvalorizado pelos estudantes, governos, pelas leis e até pela sociedade.

Ele tem ideal e sonhos de dias melhores, sabe que sua profissão é a mais que correta em um país mais que errado, sabe que a escola prepara pessoas para serem oprimidas como ele, infelizemente prepara também o opressor.

Escuta piadinhas das quais não pode rir, vê jovens se perdendo nas graças das desgraças, e o que pode fazer é ensinar, tentar mostrar caminhos, verdades, lógicas, sentidos para tudo, mas ao tocar do sino, a torcida algazarrada e o alivio da maioria faz tudo não ter sentido algum.

Este ser tem que se acostumar com pouco dinheiro, pouco tempo, e muitas contas, tem que querer muito quando quase todos não querem nada, não ligar para os dedos cruzados que pedem a sua falta, seja por doença ou por outros motivos. Ele chega em casa, e doa para a família do corpo e da mente, o que sobrou.

É pensar, pensar, repensar a educação, se frustrar, desanimar, querer mudar milhões de vezes de profissão. Ver as férias como caminho das Índias, um paraíso com viagem de volta marcada, a realidade redundante que o aguarda, a escola brasileira, cheia de pássaros que não podem voar, uma gaiola sem grades.

Este ser mitológico carrega o seu mito dentro da alma, o querer ser este profissional no Brasil, não existe, aqui este ser, já é desde que nasceu, são feitos de energias cósmicas do Monte da Esperança, onde o templo dos poucos resultados positivos, mas para ele significativos de suas aulas estão como cristais. Aqui estes seres são uma estranha classe de semideuses imortais que morrem todos os dias, bimestre a bimetre.

Pois só sendo para ser, para crer, para querer mudar o que é torto desde 1500, este herói mitológico da nossa história tem apenas um superpoder, o de poder e querer, de lutar, continuar teimando em ser... Ser Professor. 

Um ótimo fim de ano para todos os professores brasileiros, boas férias e coragem para mais um ano letivo, ABRAÇOS DO EducAÇÃO BR.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Futebol X Educação. Um clássico no Brasil


Do educAÇÃO BR
Por Dhiogo Rezende.

O futebol é o frenesi, é o ópio do nosso povo, não deveria ser, pois o esporte, a sua prática, sua cultura é e pode ser muito pedagógico, contribui para o crescimento de qualquer sociedade, vide os antigos gregos. Mas um país que não leva a educação a sério, o futebol estranhamente alcança níveis de importância equivocadas e incoerentes, fica perigoso, torna-se elemento alienante e deformador, ludibriador, desviante das questões de suma importância. A proposito, deixando a bola um pouco de lado, como anda a nossa educação?


“O Brasil ficou em penúltimo lugar em um ranking global de educação que comparou 40 países levando em conta notas de testes e qualidade de professores, dentre outros fatores.”



Os governos no Brasil não encaram a melhoria da educação como investimento e sim como gasto. Esse aspecto da nossa realidade somado e inter-relacionado a corrupção política, a manutenção da pobreza física e intelectual da massa, formam uma cultura do clientelismo, da alienação ou da banalidade em detrimento do conhecimento, da pesquisa, do saber, afundando qualquer sistema educacional.


O fato de ser emergente economicamente não garante a permanência desse status que sem qualidade de vida, esta que passa pela qualidade da educação não torna o Brasil de fato um “grande país”, apenas um país grande, com potencial para crescer, mas sem condições de sustentar-se como digno de grandeza.


Os finlandeses e os coreanos do sul despontam simplesmente por suas populações terem o nítido entendimento de que o crescimento só existe de fato se houver uma cultura do bem estar, uma sociedade harmônica e comprometida com as futuras gerações, paradigma construído dentro de um projeto de nação, de país que respeita e potencializa plenamente seu sistema de educação como sustentáculo vital do progresso.


Brasil: penúltimo na educação. Noticias como essas são menos circuladas do que muitas futilidades nas redes sociais da internet ou bobagens de programas enlatados da nossa mídia, mostra de que o Brasil continua caindo a cada dia, bem na nossa frente, o investimento na educação requer tempo para a colheita dos frutos, é um processo sobretudo, revolucionário que demanda maturação das mentalidades, principalmente do grupo de indivíduos mais atingidos por essa realidade, nossa juventude.


Enquanto este resultado “não incomoda”, eis as perguntas que a maioria dos brasileiros andam fazendo: Será que os estádios da copa estarão prontos em tempo? E as obras das olímpiadas? Quem será o novo técnico da seleção? Quem serão os convocados? Neymar será o grande nome do mundial?


São perguntas que preocupam o povo brasileiro, são "preocupações muito preocupantes"! Neste país do futebol, mas com certeza, não da educação, deve ter “cidadão” que olhe esta noticia e diga algo que soe mais ou menos assim, mesmo que inconsciente:  - Somos penta, ser penúltimo na educação não importa, para ser bom de bola não precisa estudar, rumo ao hexa! Aos conscientes, preocupa ou não?

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Ministro defende penas "pedagógicas" para corruptos do mensalão



Toffoli. Ministro do STF sobre condenações no caso do Mensalão:

"Aquele que comete um desvio com intuito financeiro, e tudo o que foi colocado aqui era o intuito financeiro, não era violência, não era atentar contra a democracia, não era atentar contra o estado democrático de direito porque o estado de direito era muito maior do que isso.” Fonte:http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/toffoli-critica-penas-impostas-pelo-stf-aos-mensaleiros
Ministro do STF Dias Toffoli
 "Temos aqui uma banqueira condenada. Uma bailarina. Que ameaça real essa pessoa traz à violência da convivência humana?", disse ele.




Do educAÇÃO BR 
Por Dhiogo Rezende
No embalo de Pitágoras "É preciso educar as crianças para que não seja necessário castigar os adultos" outras frases cunharam-se e já pairam como bordão político para aqueles que defendem a educação como parâmetro para transformação e solução para tudo, é o exemplo de “no lugar de presídios, é preciso construir escolas”.

Faz muito sentido, é lógico que educação é o X de todas as questões ou problemas sociais, a própria cultura em seu conceito antropológico admite o processo de aprendizagem como parte integrante e integral na construção do seu próprio conceito, esta que só os humanos possuem e que os separam dos outros animais, é assim que as culturas nas diversas formas são transmitidas, pela aprendizagem.

Desta forma todos os valores humanos, morais, sociais são transmitidos e passados aos indivíduos membros de uma coletividade, a definição do que é certo ou errado processa-se nestas relações humanas, cristalizam-se e viram verdades, algumas básicas e essenciais para a sociedade se manter do jeito que é. O crime que seria a transgressão das verdades traduzidas em leis é algo tão comum e natural quanto a própria necessidade de manter tais verdades, essas que acompanhando o caráter multilinear e dinâmico da cultura podem mudar com o tempo.

É natural entendermos que regras não são e não podem ter total respeito por todos os indivíduos, além da natureza transgressora, há vários fatores que impedem os humanos de atenderem na totalidade aquilo que é posto para fazer ou não fazer, ainda mais quando há uma coerção, através da imposição e força de diversos instrumentos, entre eles as leis e as suas penalidades.

A ética então só pode ser sustentada através de um amplo processo de educação e esta só prevê atos positivos ao bem comum, a construção da ideia do melhor para todos, essa é essência da educação, o preparo para a vida, cabendo então o respeito aos valores, principalmente os intrínsecos a humanidade. 

No nosso país, a corrupção é um problema que a educação pode resolver, é um elemento nocivo que faz parte da gênese e da cultura do Brasil e em pleno processo de banalização, as prisões destes bandidos de ternos são no mínimo uma reparação já que temos "ladrões de galinha" na cadeia. Enquanto a educação não revoluciona, os individuos também podem aprender "ou não" com a reclusão ou seu exemplo, a questão é: como essa reclusão é aplicada e vivida pelos penitenciários, no caso do Brasil, nossa prisão não é nada (re)educativa.

Falando em educação, será que toda a formação, sua complexidade e vasta bibliografia que deve ser estudada por um Ministro da mais alta instância judicial do país (STF) não consegue ter a capacidade intelectual para entender que roubar milhões dos cofres públicos, é um ato que pode significar várias violências: do futuro ceifado de crianças sem boa escola, do sofrimento e da morte nos leitos (ou falta de leitos) dos hospitais públicos, dos baixos salários dos professores, médicos, policiais, da corrupção e formação de "milicias", políciais que matam e são mortos, da falta de emprego e educação e futuro que colocam milhares de jovens no crime para também matar e morrer, será excelentíssimo ministro que os detratores do mensalão não praticaram violência com seus "assaltos" ao dinheiro público e isso não atenta contra o estado de direito?

Ainda, como pedagogicamente punir/"ensinar uma lição" aos criminosos com cursos de graduação, pós graduação nas melhores universidades do país e do exterior, bandidos do colarinho branco que sempre tiveram altos cargos, apenas aplicando multas? Com declarações e concepções assim, vindas de um dos ministros do STF, realmente teremos que educar nossas crianças melhor, para que elas virem políticos que não precisem ser punidos e nem ministros da justiça que falem tamanhas besteiras sem juizo.