terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

MEC anuncia reajuste de 22,22% para o piso nacional do magistério

O Brasil precisa mais de vergonha dos governantes do que leis






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Do educAÇÃO BR
De leis, desde o Estado Novo de Vargas na década de 30, até que estamos nos servindo bem, mesmo sendo uma ditadura, o problema está no cumprimento das legislações pelos executivos. Principalmente quando estas são para beneficio ou desenvolvimento da educação neste país.

O Brasil precisa mais de vergonha dos governantes do que leis, ou talvez uma lei proibindo os politicos nos executivos de NÃO terem vergonha na cara e simplesmente fazerem o que a lei manda, uma lei do piso que desde 2008 se arrasta, se humilha para ser respeitada. Tem prefeituras e estados no Brasil que não pagam o valor ainda com a sifra de R$1.187, imaginem agora com este reajuste, o que aconterá?

Da CNTE.

O Ministério da Educação (MEC) anunciou no final da tarde de hoje (27) o percentual de reajuste do piso nacional do magistério, que deve ser atualizado em 22,22% e passar para R$ 1.451. A atualização segue a determinação do artigo 5º da Lei 11.738, de 16 de junho de 2008, aprovada pelo Congresso Nacional. O piso salarial foi criado em cumprimento ao que estabelece o artigo 60, inciso III, alínea "e" do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias.

Conforme a legislação vigente, a correção reflete a variação ocorrida no valor anual mínimo por aluno definido nacionalmente no Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) de 2011, em relação ao valor de 2010. 

A Lei do Piso determina que nenhum professor pode receber menos do que o valor determinado por uma jornada de 40 horas semanais, que agora é de R$ 1.451. Questionada na Justiça por governadores, a legislação foi confirmada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no ano passado. Em 2011, o piso foi R$1.187 e, em 2010, R$ 1.024. Em 2009, primeiro ano da vigência da lei, o valor era R$ 950.

Entes federados argumentam que não têm recursos para pagar o valor estipulado pela lei. O dispositivo prevê que a União complemente o pagamento nesses casos. Mas, desde 2008, nenhum estado ou município recebeu os recursos porque, segundo o MEC, não conseguiu comprovar a falta de verbas para esse fim. (CNTE, com informações da Agência Brasil 27/02/12)

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Triste História de um Professor (mais um brasileiro)

O educAÇÃO BR recebeu em sua caixa de email essa história real de mais um professor brasileiro. ACOMPANHEM...




Porto Alegre (RS), 16 de julho de 2011
Caro Juremir (CORREIO DO POVO/POA/RS)

Meu nome é Maurício Girardi. Sou Físico. Pela manhã sou vice-diretor no Colégio Estadual Piratini, em Porto Alegre, onde à noite leciono a disciplina de Física para os três anos do Ensino Médio.   Pois bem, olha só o que me aconteceu: estou eu dando aula para uma turma de segundo ano. Era 21/06/11 e, talvez, “pela entrada do inverno”, resolveu também ir á aula uma daquelas “alunas-turista” que aparecem vez por outra para “fazer uma social”.  Para rever os conhecidos. Por três vezes tive que pedir licença para a mocinha para poder explicar o conteúdo que abordávamos.
Parece que estão fazendo um favor em nos permitir um espaço de fala. Eis que após insistentes pedidos, estando eu no meio de uma explicação que necessitava de bastante atenção de todos, toca o celular da aluna, interrompendo todo um processo de desenvolvimento de uma ideia e prejudicando o andamento da aula. Mudei o tom do pedido e aconselhei aquela menina que, se objetivo dela não era o de estudar, então que procurasse outro local, que fizesse um curso à distância ou coisa do gênero, pois ali naquela sala estavam pessoas que queriam aprender' e que o Colégio é um local aonde se vai para estudar. Então, a “estudante” quis argumentar, quando falei que não discutiria mais com ela.

Neste momento tocou o sinal e fui para a troca de turma. A menina resolveu ir embora e desceu as escadas chorando por ter sido repreendida na frente de colegas. De casa, sua mãe ligou para a Escola e falou com o vice-diretor da noite, relatando que tinha conhecidos influentes em Porto Alegre e que aquilo não iria ficar assim. Em nenhum momento procurou escutar a minha versão nem mesmo para dizer, se fosse o caso, que minha postura teria sido errada. Tampouco procurou a diretoria da Escola.
Qual passo dado pela mãe?  Polícia Civil!... Isso mesmo!... tive que comparecer no dia 13/07/11, na  8.ª (oitava Delegacia de Polícia de Porto Alegre) para prestar esclarecimentos por ter constrangido (“?”) uma adolescente (17 anos), que muito pouco frequenta as aulas e quando o faz é para importunar, atrapalhar seus colegas e professores'. A que ponto que chegamos? Isso é um desabafo!... Tenho 39 anos e resolvi ser professor porque sempre gostei de ensinar, de ver alguém se apropriar do conhecimento e crescer. Mas te confesso, está cada vez mais difícil.
Sinceramente, acho que é mais um professor que o Estado perde. Tenho outras opções no mercado. Em situações como essa, enxergamos a nossa fragilidade frente ao sistema. Como leitor da tua coluna, e sabendo que abordos com frequência temas relacionados à educação, ''te peço, encarecidamente, que dediques umas linhas a respeito da violência que é perpetrada contra os professores neste país''.

Fica cristalina a visão de que, neste país:

Ø NÃO PRECISAMOS DE PROFESSORES Ø NÃO PRECISAMOS DE EDUCAÇÃO

Ø AFINAL, PARA QUE SER UM PAÍS DE 1° MUNDO SE ESTÁ BOM ASSIM

Alguns exemplos atuais:

Ronaldinho Gaúcho: R$ 1.400.000,00 por mês. Homenageado pela “Academia Brasileira de Letras"... O Tiririca: R$ 36.000,00 por mês. Membro da “Comissão de Educação e Cultura do Congresso"...

TRADUZINDO: SÓ O SALÁRIO DO PALHAÇO, PAGA 30 PROFESSORES. PARA AQUELES QUE ACHAM QUE EDUCAÇÃO NÃO É IMPORTANTE: CONTRATE O TIRIRICA PARA DAR AULAS PARA SEU FILHO.

Um funcionário da empresa Sadia (nada contra) ganha hoje o mesmo salário de um “ACT” ou um professor iniciante, levando em consideração que, para trabalhar na empresa você precisa ter só o fundamental, ou seja, de que adianta estudar, fazer pós e mestrado?  Piso Nacional dos professores: R$ 1.187,00… Moral da história: Os professores ganham pouco, porque “só servem para nos ensinar coisas inúteis” como: ler, escrever, pensar, formar cidadãos produtivos, etc., etc., etc....

SUGESTÃO: Mudar a grade curricular das escolas, que passariam a ter as seguintes matérias:

Ø Educação Física: Futebol;

Ø Música: Sertaneja, Pagode, Axé;

Ø História: Grandes Personagens da Corrupção Brasileira; Biografia dos Heróis do Big Brother; Evolução do Pensamento das "Celebridades"

Ø História da Arte: De Carla Perez a Faustão;

Ø Matemática: Multiplicação fraudulenta do dinheiro de campanha;

Ø Cálculo: Percentual de Comissões e Propinas;

Ø Português e Literatura: ?... Para quê ?...

Ø Biologia, Física e Química: Excluídas por excesso de complexidade.

Está bom assim? ... eu quero mais!...

ESSE É O NOSSO BRASIL ...

Vejam o absurdo dos salários no Rio de Janeiro (o que não é diferente do resto do Brasil)

Ø BOPE - R$ 2.260,00....................... para  ........ Arriscar a vida;

Ø Bombeiro - R$ 960,00.....................para  ........  Salvar vidas;

Ø Professor - R$ 728,00.....................para  ........  Preparar para a vida;

Ø Médico - R$ 1.260,00......................para  ........  Manter a vida;

E o Deputado Federal?.....R$ 26.700,00 (fora as mordomias, gratificações, viagens internacionais, etc., etc., etc., para FERRAR com a vida de todo mundo, encher o bolso de dinheiro e ainda gratificar os seus “bajuladores” apaniguados naquela manobrinha conhecida do “por fora vazenildo”!).

IMPORTANTE:
Faça parte dessa “corrente patriótica” um instrumento de conscientização e de sensibilização dos nossos representantes eleitos para as Câmaras Municipais, Assembleias Estaduais e Congresso Nacional e, principalmente, para despertar desse “sono egoísta” as autoridades que governam este nosso maravilhoso país, pois eles estão inertes, confortavelmente sentados em suas “fofas” poltronas, de seus luxuosos gabinetes climatizados, nem aí para esse povo brasileiro. Acorda Brasília, acorda Brasil !...

P.S.: Divulgue logo esta carta para todos os seus contatos. Infelizmente é o mínimo que, no momento, podemos fazer, mas já é o bastante para o Brasil conhecer essa "pouca vergonha".   As próximas eleições estão chegando!

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Brasil sem lei, SEM VERGONHA!

Os anos passam e a lei do piso (desde 2009) não é respeitada no país sem lei, sem vergonha.
Do educAÇÃO BR
É evidente que se as leis são para beneficio dos políticos ou profissões consideradas no Brasil como nobres, elas são aplicadas na mesma data que entram em vigor. Mas para beneficiar o profissional da educação, o pobre professor não, a não ser que a lei seja um aparato para pressionar, acuar os professores em seus trabalhos e desmantelo da educação.
Leis devidamente aprovadas, que beneficiam os professores e não são respeitadas pelos governos, é um claro golpe ao estado de direito, o direito básico de uma educação de qualidade, maltratar os professores é maltratar os estudantes, subjugar a educação é acabar com o futuro da nação.

Fuzilar o futuro da nação, missão dos nossos políticos, “razão social” das secretarias de educação deste país, entrave embutido no nosso sistema judiciário como uma peça original, sistema que vota e aprova uma lei importante para a educação, por tanto para o país, e que não tem meios de fazê-la cumprida diante daqueles que não as tem como importante, estes senhores e senhoras que estão à frente dos gabinetes executivos. Executam mesmo é o povo matando suas chances de uma vida melhor. 

17 estados não respeitam a lei do piso salarial dos professores
10 Dezembro 2011 (http://www.apeoc.org.br/midia/radio/4434-17-estados-nao-respeitam-a-lei-do-piso-salarial-dos-professores.html)

A lei nacional do piso do magistério ainda não é cumprida em pelo menos 17 das 27 unidades da Federação. A legislação prevê salário mínimo de R$ 1.187 a professores da educação básica pública, em jornada semanal de 40 horas, excluindo as gratificações e assegura que os docentes tenham 1/3 da carga horária para tarefas extraclasse.
A ideia é que os professores tenham melhores condições de trabalho com aumento salarial e período remunerado para atender aos alunos, preparar as aulas e estudar.

Dados pesquisados junto a todas as secretarias estaduais de Educação mostram que a jornada extraclasse é o ponto mais desrespeitado da lei: 15 Estados a descumprem, incluindo São Paulo e Ceará, onde 17% da carga é fora da classe.

Desse grupo, quatro (MG, RS, PA e BA) também não pagam o mínimo salarial, ou seja, estão totalmente fora da legislação nacional. Para o presidente do Sindicato – APEOC, professor Anízio Melo, isto é prova patente da falta de compromisso com a educação.




segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Uma Mentira Conveniente

O MELHOR DO MELHOR, ENTRE OS MELHORES...
Do educAÇÃO BR
Mentiras plantadas no jardim castigado da nossa educação, muito mais espinhos do que pétalas, vemos muitas falsas propagandas a cerca do setor educacional por partes dos governos, estas são as que mais alienam a população, pois a iludem e lhes dão a falsa sensação de formação de qualidade, de que o governo pensa acima de tudo em seu povo. As mentiras sobre a nossa educação viram verdades quase absolutas na cabeça de um povo que historicamente foi e continua usado politicamente pelos dominantes e enganado quanto aos direitos que deveriam existir na sua vida.
O Governo do Estado do Tocantins engana seu povo, mente para o Brasil ao falar de certos investimentos na educação que não são concretos e reais, principalmente se levarmos ao pé das letras garrafais das propagandas de 1º, 2º lugar nos avanços da educação e em outras áreas sociais, prática bem comum em todas as máquinas administrativas do Brasil, que gastam grande parte do orçamento com propagandas.

"O TOCANTINS TEM O 2º MELHOR SALÁRIO DE PROFESSOR DO BRASIL."

Segundo uma análise comparativa realizada em dezembro de 2010 pela APEOC, filiada a CUT e a CNTE, o salário de professor no Tocantins (40h) é o 9º do Brasil, o Maranhão (um dos estados mais pobres da união) aparece em 2º atrás do Distrito Federal que paga R$ 3,227,87.
No Brasil é muito conveniente mentir, aumentar, fraudar “verdades” sobre a educação, além de atacar na via de fato, nos espaços escolares e seus profissionais, atacam na mídia, bombardeando a opinião pública, os olhos da massa deseducada brasileira que ainda não aprendeu a ver.

  



Notícia publicada em 12/01/2012 - - Autor: Fernando no site: http://www.araguainanoticias.com.br/noticia/1431/o-misero-salario-do-professor-e-o-2o-maior-do-pais.html
O mísero salário do professor é o 2º maior do país
O piso salarial dos professores da rede estadual de ensino no Tocantins terá um aumento de apenas 7,29 % a partir de janeiro deste ano, passando dos atuais R$ 2.854,00, para 3.062,00. Apesar do salário ser muito baixo, essa “façanha” coloca o Tocantins como o 2° estado que melhor paga os profissionais da educação, conforme a SEDUC.

Até parece uma piada de mau gosto. Porém, essa é a realidade da educação no Brasil. Não é que o salário dos professores do Tocantins seja alto, mas a verdade é que a educação nunca foi, não é, e nunca será uma prioridade no Brasil. Portanto, com a desvalorização dos profissionais na educação em todo o país, qualquer aumento se transforma no segundo maior da Nação.

O interessante é que o salário do Secretário Estadual da Educação, Danilo Mello, é de 15 mil reais, ainda tem todo o suporte como assessoria, transporte e outras regalias. Isso é um salário digno. Por outro lado, o professor passa 4 anos em uma Universidade se preparando e ao chegar numa sala se depara com uma longa jornada de trabalho, precisa levar serviço para casa, como fazer planejamento, elaborar e corrigir provas e preencher diários.

Além de trabalhar num ambiente sem condições ergonômicas, no calor e com poucos recursos pedagógicos, cumprir todos as exigências da escola, ao final do mês a "recompensa" é 7 vezes menor que a do secretário.

Se o Secretario Danilo deixasse o conforto de sua sala e atuasse como professor em uma sala de aula, talvez não diria que esse aumento é um ganho para a educação no país. Claro que esse aumento salarial é importante, mas não é o suficiente e nem o ideal para os professores. Professor deve ser valorizado e ter um salário digno. No dia em que a educação brasileira tiver o valor que merece, o Brasil passará por uma transformação profunda e sairá do 3° mundo, passando a ser de 1° mundo.

Outro aspecto interessante é que em Araguaína um vereador ganha mais de 6.500 reais, além de verbas de gabinetes e assessorias, sendo que para ocupar esse cargo não precisa ter nenhuma formação. E temo vistos os resultados das ações de políticos despreparados: o Ministério Público teve que intervir em várias decisões da Câmara de Araguaína, por serem inconstitucionais. Já o professor com todo o preparo, e com um papel de extrema importância na sociedade tem um salário que não chega a metade do ganho de um parlamentar.

A educação pode transformar uma nação e tirar as regalias dos políticos. Portanto não é que o salário do professor no Tocantins é bom, mas sim a falta de valorização da educação é que possibilita governantes fazer declarações imbecis e repugnantes como essas.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Volta às aulas. Nada de novo no fronte.


Nada de novo no fronte
Volta às aulas no Rio de Janeiro depois de confrontos em regiões de tráfico. Fonte: http://www.blogdomarcelo.com.br/v2/tag/escolas/
Dia primeiro de fevereiro de 2012, a maior parte de nossas crianças regressará as escolas brasileiras e pelo jeito nada de novo nestes campos de batalha da educação em guerra a séculos com o sistema politico que se arma todos os anos para metralhar as consciências ou a formação de qualidade dos nossos cidadãos.

As secretarias de educação, municipais e estaduais apertam no velho replay dos votos de que este ano tudo vai dar certo, tudo será melhor que ano passado. Um blá blá blá de que depende dos professores, está em suas mãos a melhoria da educação, é o dever, é a missão, docentes, coordenadores, diretores, secretários, prefeitos, governadores, presidente estão todos no mesmo barco, a diferença é que os engravatados da educação e professores de escritório têm muitos botes salva-vidas.

A poucos dias de iniciar as aulas faltam professores, não convocação ou convocação sem tempo hábil para posse de concursados ou simplesmente a continuidade da não realização de concursos e a exploração de professores contratados, reparos ou reformas que não foram feitas nas escolas, ou então não foram terminadas a tempo, inadequações ainda a famigerada lei do piso, e os artigos que versam sobre 1/3 da carga horária para planejamento, fazem o quadro torto na parede da nossa educação todos os anos, a décadas, a séculos.

Este ano é de eleições municipais e mais uma vez veremos promessas de melhorias na educação, agradinhos aos estudantes e professores, a escola se perde na razão de ser, um espaço que ao invés de caminhar na contramão da ignorância, da corrupção, parece aliar-se a estes projetos nada deslumbrantes ao futuro da nação, ao progresso do país, nada de novo no fronte, aos soldados da educação, mais força nas baionetas.








domingo, 11 de dezembro de 2011

CONSELHO DE CLASSE. Aprovando a Reprovação.


A nossa educação é composta por sistemas que foram criados para aprovar em quantidade, mas sem qualidade.

Foto da WEB. Ilustração.


Do educação BR

As vésperas de mais um fim de ano letivo, se repetem fatos que pitam a feia imagem da nossa educação, principalmente a pública. Estudantes que não fizeram jus a alcunha durante todo o ano, nas duas últimas semanas resolvem se transformar, ficam mais comportados e fazem tudo que os professores pedem, e evidentemente que não podem aprender a soma de conhecimento de meses e meses anteriores.

Dado o caos secular que é a nossa educação, o faz de conta que se fez o ano inteiro (professores fingiram que ensinaram e estudantes fingiram que aprenderam) fica mais real no último bimestre. O medo de reprovar é o de ficar para trás em relação aos outros colegas, não sabem (ou sabem) que já estão atrás há muito tempo, os aprovados menos atrás do que os reprovados ou não necessariamente nessa ordem. Fingir que está tudo certo para os dois lados, professores-estudantes, pode evitar dores na consciência e noites mal dormidas, efeitos colaterais mais presentes nos mestres evidentemente.

A nossa educação é composta por sistemas que foram criados para aprovar em quantidade, mas sem qualidade, em alguns, o estudante que ficar reprovado em até três disciplinas pode passar no conselho tranquilamente, se o estudante ficar em apenas uma matéria, independente de sua nota, muitas escolas entendem que é quase impossível de ele ficar retido no conselho, principalmente quando esta disciplina é a que o corpo escolar julga como inferior ou menos necessária, como nos casos de artes, religião, educação física, línguas.

Alguns conselhos chegam a ser hilários de um certo ponto de vista, todo tipo de situação pode ser usada para a não reprovação de um estudante, doenças fantasiosas como o fato verídico de uma menina ter sua avaliação mais relaxada por ter segundo a mãe, “menstruado de mais” no período de provas, ou se tiverem certas características ou situações sociais são tratados como especiais e na prática não podem ser reprovados, estudantes pobres que tem muitos irmãos ou moram longe (zona rural), que trabalham, ou meninas que estão no início da gravidez ou bem depois da licença maternidade são exemplos.

Ainda acontece de a reprovação, de um número limite, claro, para não macular a unidade escolar perante o sistema, ser por critérios não técnicos quanto ao desempenho dos estudantes nas aulas, pode variar desde a sua postura ou aparência até seu grau de antipatia ou não parentesco com o corpo docente e funcionários da escola ou o professor na sua avaliação, tem que decidir entre tantos candidatos a reprovação, os casos que ele julgar como os piores. 

No ano seguinte, estes alunos riem dos professores, principalmente daqueles que falam em reprovação para angariar mais compromisso por parte do alunado. Muitos não entendem quase nada dos conteúdos escolares ministrados, no entanto, entendem muito bem que mesmo assim, ele pode ser aprovado sem aprender o que pode e o que deve, assim passam a maior parte do ano literalmente brincando, basta ter frequência, essa que além da aprovação, pode render a continuidade do recebimento de bolsas assistenciais do governo.

O resultado é devastador na qualidade, estudantes de ensino médio que não sabem ler e escrever direito, que não tem noções básicas das disciplinas das séries que foram aprovados, ao receberem novos ou reformulados conteúdos das séries seguintes, ficam cegos em um verdadeiro tiroteio de novas informações, piorado com a situação de que o conteúdo que era para ser antigo, na verdade é muito novo para eles também.

A ponta hierárquica do sistema está nas secretárias de educação que não querem índices ruins, os resultados reais das avaliações não podem aparecer, pois estes seriam desastrosos para fins eleitorais e manutenção das gestões no poder. A ordem passa do cume da pirâmide para as diretorias regionais que a empurram para as direções das escolas que acabam passando a bomba com o pavio bem curto para as mãos dos nossos professores.

Muitos dos nossos mestres não conseguem lidar com a pressão, direções e coordenações pedagógicas chegam a fazer terrorismo psicológico, ameaçando, dizendo que ordens superiores aparecerão na escola para confrontar o professor e suas avaliações quanto às notas baixas expedidas, assim os docentes se veem perdidos, no fim resta o professor sujar suas mãos, seu diploma e aprovar estudantes as dezenas sem condições de seguirem adiante nas próximas séries.

O pior é que esta maquiagem da aprovação de 85%, 90% ou mais, não é muito boa, não resiste aos jatos d’água fria das avaliações externas como a Prova Brasil e o ENEM, as cores borram e saem por completo, estudantes que tiram somente notas altas na sua escola, tem um desempenho horrível nestas provas externas, vemos que os sistemas de educação pública têm suas escolas com os piores resultados no subsolo dos rankings, enquanto na ponta aparecem escolas (na maioria particulares) onde quem não alcança os níveis não é aprovado, e sem choro, nem vela só passa quem sabe. 

Sendo assim, a culpa pode cair sobre os professores, os galhos fracos do sistema, pois são eles que estão nas salas de aula, o sistema de coação das secretarias fica escondido nesta fase, o professor é que surge como vilão, como o "único elemento" que não está fazendo seu trabalho direito.



 

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

A Evolução da nossa Educação



Email interessante que está circulando na internet. O educAÇÃO BR divulga.




 


HÉDUCASSÃO...
sensacional! leiam
 

A Evolução da Educação:
 
Antigamente se ensinava e cobrava tabuada, caligrafia, redação, datilografia...
Havia aulas de Educação Física, Moral e Cívica, Práticas Agrícolas, Práticas Industriais e cantava-se o Hino Nacional, hasteando a Bandeira Nacional antes de iniciar as aulas...

Leiam o relato de uma Professora de Matemática:

Semana passada, comprei um produto que custou R$ 15,80. Dei à balconista R$ 20,00 e peguei na minha bolsa 80 centavos, para evitar receber ainda mais moedas. A balconista pegou o dinheiro e ficou olhando para a máquina registradora, aparentemente sem saber o que fazer.
Tentei explicar que ela tinha que me dar 5,00 reais de troco, mas ela não se convenceu e chamou o gerente para ajudá-la.
Ficou com lágrimas nos olhos enquanto o gerente tentava explicar e ela aparentemente continuava sem entender.
Por que estou contando isso?
Porque me dei conta da evolução do ensino de matemática desde 1950, que foi assim:


1. Ensino de matemática em 1950:

Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00.
O custo de produção é igual a 4/5 do preço de venda.
Qual é o lucro?

2. Ensino de matemática em 1970:

Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00.
O custo de produção é igual a 4/5 do preço de venda ou R$ 80,00. Qual é o lucro?

3. Ensino de matemática em 1980:

Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00.
O custo de produção é R$ 80,00.
Qual é o lucro?

4. Ensino de matemática em 1990:

Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00.
O custo de produção é R$ 80,00.
Escolha a resposta certa, que indica o lucro:
( )R$ 20,00 ( )R$ 40,00 ( )R$ 60,00 ( )R$ 80,00 ( )R$ 100,00

5. Ensino de matemática em 2000:

Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00.
O custo de produção é R$ 80,00.
O lucro é de R$ 20,00.
Está certo?
( )SIM ( ) NÃO

6. Ensino de matemática em 2009:

Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00.
O custo de produção é R$ 80,00.
Se você souber ler, coloque um X no R$ 20,00.

( )R$ 20,00 ( )R$ 40,00 ( )R$ 60,00 ( )R$ 80,00 ( )R$ 100,00

7. Em 2010 ...:

Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00.
O custo de produção é R$ 80,00.
Se você souber ler, coloque um X no R$ 20,00.
(Se você é afro descendente, especial, indígena ou de qualquer outra minoria social não precisa responder pois é proibido reprová-los).
( )R$ 20,00 ( )R$ 40,00 ( )R$ 60,00 ( )R$ 80,00 ( )R$ 100,00


E se um moleque resolver pichar a sala de aula e a professora fizer com que ele pinte a sala novamente, os pais ficam enfurecidos pois a professora provocou traumas na criança.
Também jamais levante a voz com um aluno, pois isso representa voltar ao passado repressor (Ou pior: O aprendiz de meliante pode estar armado)

- Essa pergunta foi vencedora em um congresso sobre vida sustentável:
Todo mundo está 'pensando'
em deixar um planeta melhor para nossos filhos...

Quando é que se 'pensará'
em deixar filhos melhores para o nosso planeta?"


Passe adiante!
Precisamos começar JÁ!

Ou corremos o sério risco de largarmos o mundo para um bando de analfabetos, egocêntricos, alienados e sem a menor noção de vida em sociedade e respeito a qualquer regra que seja!!!

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

A Escola Brasileira e o Dia 20 de Novembro

Faltam consciências de muitas cores
Do educAÇÃO BR
Está chegando mais um dia 20 de novembro e poucos brasileiros sabem o seu significado ou a sua função social. Muitas escolas trabalham muito por ser mais uma convenção dos calendários, pois muitos “educadores” também não compreendem a importância pedagógica do dia. Faltam consciências de muitas cores ainda no Brasil, cores da política, da nossa cultura, da nossa sociedade, a negra assim como as outras é obscurecida pelo apagão educacional que vivemos no Brasil.
Sabemos que a nossa educação não anda bem, desde sempre, não podemos confiar que hoje, séculos depois da escravidão somos uma nação consciente e livre de preconceitos, ainda mais se é na escola também que se des”aprende” os reais valores da nossa história e do nosso povo. O nosso bullying racial é iniciado pelos jesuítas, ensinam ainda que uma cultura é superior a outra nas escolas, grupos cristãos inferiorizam as religiões de matriz africana, admiração e temor ainda se misturam diante de apresentações de capoeira, danças e batuques nas escolas, muitas unidades de ensino não são áreas laicas, o proselitismo religioso corre solto, o conservadorismo "ético e moral" que perseguem os economicamente desfavorecidos e até os de orientação sexual diferente segue o mesmo ritmo. 
Um Brasil com sindromes coloniais ainda insiste na escravidão, ou será que o povo é livre dos seus antigos dominantes, das elites, governantes que nos negam direitos, que nos prendem a projetos de exploração maquiados de sociais, meios de manutenção de seus poderes? Se traçarmos uma linha do Brasil colonia até o republicano, veremos que os nomes mudaram mas a relação opressor-oprimido continua e até com as mesmas caracteristicas, podem até ter mudado os ares, mas muito do cheiro ainda ficou. De donatários e índios escravos, de senhores e negros escravos, a governantes corruptos e eleitores comprados, de patrões exploradores e seus empregados.
A escola que não funciona ou funciona só para cumprir calendário em dias como o 20 de novembro, é parte do esquema secular da relação de servidão do nosso povo. Continua se ensinando que o negro foi escravizado e pronto, e não se aprende direito os reflexos na sociedade atual resultantes de quase quatro séculos de sofrimento de milhões de um povo que se constitue a nação brasileira como a castanha constitui o caju, seja doce ou não, amarelo ou vermelho, todos no final somos caju.
Caímos nas teias positivistas dos dominantes e ganhamos sem saber direito um herói, o Zumbi que assim como nosso Tiradentes existiram muito mais para seus opressores do que para os seus próximos. Suas histórias são pintadas para nos dá um orgulho que incorporamos mais como uma forma simbólica da nossa memória do que significados conscientes do nosso passado ligado a nossa existência, ainda oprimida no nosso presente. A liberdade ainda é necessária, ainda precisamos nos livrar de vários grilhões, seria bom se pelo menos a cada dia 20, isso ficasse bem claro aos brasileiros de todas as cores.
   

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Professor Escravo


Dos grilhões ao quadro e giz.
Prof. Ana Caroline

Acordar às 6 da manhã de segunda a sexta, com uma carga horária de 40 horas semanais divididas em três turnos, quando não está ministrando as aulas em sala, está na sala dos professores planejando, quando está em casa, divide o tempo de se alimentar, trabalhos domésticos, e “descansar” com mais horas de planejamento ou correção de atividades e provas que sempre se estendem para os finais de semana, alguns ainda com sábado letivo. Um dia de trabalho que vai até perto do próximo, beirando a meia noite, dormir para recarregar-se para mais um dia de trabalho é a rotina para milhares de professores brasileiros.
O trabalho docente no Brasil é árduo e mal remunerado, sem valor e reconhecimento social, até ai nenhuma novidade, o problema é fazer tudo isso, ter essa grande responsabilidade de educar os filhos da nação, muitas vezes sem ter as mínimas condições e simplesmente não ser pago por isso. É a história de muitos educadores como a Ana Caroline, professora que deixou Imperatriz do Maranhão para se aventurar no Bico do Papagaio desde agosto deste ano, formada em Biologia, ministra aulas de biologia, ciências, química e religião em um colégio estadual do Tocantins.
Chegando ao quarto mês sem receber, a resistência financeira e psicológica está vencida assim como as inúmeras contas, débitos em mercados, farmácias, e vence também as caras que não tem mais expressão para ficar diante dos credores. A mais de cem quilômetros de casa, o cansaço e o desanimo são mais do que aparentes, e é claro que isso se reflete na qualidade das aulas.
O regime escravista de trabalho é caracterizado pela falta de direitos básicos, submissão a condições degradantes e desumanas. Ana Caroline assinou um contrato de trabalho com o governo do estado do Tocantins, o que legalmente a faz ter garantidos direitos trabalhistas, na prática, o direito que ela tem é o de dar aulas aconteça o que acontecer, sem receber por elas, logo surge uma imagem dos professores no pelourinho da educação.
A comparação deste regime de contrato com um regime de escravidão não chega a ser um exagero distante, lembrando-se do sofrimento dos negros africanos e afro-brasileiros na história do nosso país, é triste tentarmos fazer essa associação com os trabalhadores da educação no Brasil. Imaginamos a vida de qualquer trabalhador do século XXI que trabalha diariamente a mais de três meses e não recebe, logo enxergamos um cotidiano de incertezas, desânimo, insegurança, medos, um quadro do atual sistema capitalista completamente desumano, um ícone forte de um sistema de exploração da mão de obra.
O governo do estado do Tocantins pratica no funcionalismo público o que outros tantos estados brasileiros também fazem, sabemos que as prioridades são outras, educação não. A administração tocantinense afirma que pagará os contratos em dezembro, assim como professores efetivos que estão trabalhando 40 horas e recebendo apenas 20. A justificativa é que os atrasos são por conta da burocracia, alguns contratados receberam apenas um mês dos três trabalhados e também esperam o restante. O prejuízo já é certo, pois os descontos serão feitos em cima do valor de todos os meses juntos, o que reterá na fonte uma quantia grande do salário liquido dos professores.
O intrigante é que o governo em seu site da SEDUC-TO anunciou medidas de valorização da educação como a premiação de 12 milhões de reais para as escolas e seus profissionais, fora os gastos com a climatização das salas de aula, por exemplo. Tudo para 2012, enquanto na segunda metade de 2011, centenas de professores amargam o gosto de trabalhar tanto e não verem a cor dos seus pagamentos. Mais vale uma boa propaganda na mão do que dinheiro da folha salarial voando.


quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Brasil, sobe um pouco seu IDH e continua escorregando na educação

Brasil é o 84º do ranking de IDH da ONU. 

Do educAÇÃO BR
"É evidente que o Brasil precisa melhorar seus índices educacionais para melhorar seu desenvolvimento humanos, como todos os analistas costumam destacar. Mas não deve deixar de lado seus esforços para combater a pobreza extrema e reduzir a desigualdade social." Pois bem, sem educação não há desenvlvimento humano, então nada de comemoração por algumas posições a frente, estamos entre os 15 países com a pior distribuição de renda do mundo, estas poucas posições não fazem o Brasil aparentemente ser melhor, falta literalmente condição de qualidade de vida para milhões de brasileiros, isso sim é visivel todos os dias.

Não adianta esperar uma melhor qualidade de vida se o que proporciona isto para qualquer cidadão no Brasil ainda é negado, uma educação de qualidade. E isto logo se aprende na escola ou em casa, - sem o estudo você não chega a lugar nenhum meu filho, sendo assim, vamos continuar engolindo cantos de vitória do governo e do PNUD ou vamos encarar que não há necessariamente um paralelo da situação de avanço econômico com desenvolvimento social em nosso país, falta educação do governo, por tanto, falta a do povo primeiro. 

De Carta Capital


Apesar da 84ª posição no ranking do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) em 2011, desempenho vexatório para um país com a sétima maior economia do mundo, o Brasil tem melhorado a sua performance nos últimos anos. Tanto que, ao divulgar o novo relatório, na manhã desta quarta-feira 2, o escritório brasileiro do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), pontuou que, na evolução de posições do ranking de 2006 a 2011, “o Brasil está entre os 24 países com melhor desempenho, ou seja, aqueles que subiram três ou mais posições”. Nem por isso há tantos motivos para celebrar.

De fato, na comparação com o ano anterior, o País avançou uma posição. Em 2010, o Brasil obteve a classificação 73 entre as 169 nações analisadas. Com a inclusão de 18 novos países e territórios reconhecidos pela ONU no cálculo, atingindo o número recorde de 187 estados avaliados, os pesquisadores do Pnud reclassificaram os desempenhos em anos anteriores. Daí a constatação de que o Brasil passou do 85º lugar para o 84º entre 2010 e 2011. O atual índice brasileiro (0,718) mantém o País no grupo de nações com desenvolvimento humano considerado elevado e está acima da média global (0,682). Comparado aos demais países dos Brics, só perde para a Rússia (0,755).

Gráfico com o IDH dos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul): só a Rússia supera o Brasil
Há, contudo, um aspecto que costuma ser deixado em segundo plano nas avaliações sobre o IDH. Desde 2010, o Pnud divulga uma lista de países com o IDH ajustado à desigualdade (IDHAD). Neste ano, o índice brasileiro foi de 0,519, valor 27,7% inferior ao aferido pelo IDH tradicional. Isto ocorre em função das variáveis consideradas em um e outro indicador. O IDH convencional é uma medida média das conquistas de desenvolvimento humano básico em um país. No quesito renda, por exemplo, é considerada a renda per capita, uma média que mascara os problemas decorrentes da desigualdade social.

Como o Brasil está entre 15 países com pior distribuição de renda do planeta, o nosso IDHAD apresenta um valor bem abaixo do IDH tradicional, em alguns casos até inferior ao de nações africanas como o Gabão. No ranking do IDH convencional, estamos 22 posições à frente dos gabonenses. Ao considerar as variáveis de desigualdade, o desempenho do Gabão (0,543) é superior ao nosso. “Nesta área, o Brasil se insere em um contexto semelhante ao da América Latina, onde a desigualdade – em especial de renda – faz parte de um passivo histórico que ainda representa um grande obstáculo para o desenvolvimento humano. Mas o relatório elogia os esforços e avanços da região na tentativa de reduzir estes números, e faz menção às conquistas de Argentina, Brasil, Honduras, México e Peru”, registra o Pnud.

Fato é que, no ranking dos 137 países que calculam o IDH ajustado à desigualdade, o Brasil cairia 13 posições, ficaria numa ainda mais vexatória 97ª posição. É evidente que o Brasil precisa melhorar seus índices educacionais para melhorar seu desenvolvimento humanos, como todos os analistas costumam destacar. Mas não deve deixar de lado seus esforços para combater a pobreza extrema e reduzir a desigualdade social.

Para ler a íntegra do relatório do Índide de Desenvolvimento Humano do Pnud, clique aqui.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Marcha de professores - Exército dos 10% pelo PIB educação.

Professores marcham em Brasília pelos 10% do PIB para a educação

Marcha pretende reunir 10 mil trabalhadores para pressionar deputados e senadores a encaminhar a proposta


Do educAÇÃO BR.

Quantos pés terão que marchar ainda no solo de Brasília para que o cumprimento de leis ou medidas que concensualmente no mundo da ética desenvolvem positivamente a educação de um país? Quem pode ser contra algo que melhore a educação? Declaradamente ninguém, é irracional em uma sociedade moderna, no século da informação e conhecimento, muito menos os políticos, eles não são loucos para em seus depoimentos emitirem ideias contrárias a educação de qualidade, mas no entanto, são contraditórios ao proporem ou apoiarem medidas inimigas da educação, ou simplesmente ignorar leis ou propostas, principalmente os de cargos executivos, governadores por exemplo.
Marchar é preciso, o ético e justo não podem ser engolidos pela vontade secular das elites continuarem negando a massa o direito a educação, o direito de enxergar e definir os caminhos a seguir em uma sociedade que só será igual e realmente democrática através das águas que correm nos leitos da nossa educação, e assim como água, não se nega a ninguém. 


São Paulo – Professores de todo o país organizam uma passeata para esta quarta-feira (26) em Brasília, para pressionar parlamentares a defender a destinação de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) ao setor de educação. A marcha, convocada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), estima reunir cerca de 10 mil pessoas, entre profissionais do setor, estudantes e população, que também devem protestar pelo cumprimento da lei do piso do magistério em todos os estados e municípios.
 

Em entrevista à Rádio Brasil Atual nesta terça-feira (25), Roberto Leão, presidente da CNTE, disse que a pressão sobre o Congresso é essencial para que avance o processo de melhorias na educação e para que os profissionais da área tenham seus direitos respeitados.“Consideramos essa Marcha decisiva para a aprovação dos 10% do PIB para a educação e para denunciar o não cumprimento do Piso Salarial (dos professores) pelos estados e municípios”, disse.

Cerca de 140 mil cartões-postais assinados em campanhas feitas durante o semestre nos 43 sindicatos filiados serão entregues ao relator do Plano Nacional de Educação (PNE) na Comissão Especial da Câmara dos Deputados, Ângelo Vanhoni (PT-PR). O encontro está marcado para o período da manhã. Outros abaixo-assinados em apoio à luta da categoria devem ser colhidos ainda na quarta.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Mais um dia parado por uma educação que não anda no Brasil.

Paralisação pela Educação no Tocantins: professores vão às ruas por melhorias no sistema educacional
Professores na paralização em frente a Diretoria de Ensino em Araguatins - TO

Do educAÇÃO BR - Por Marcos Vinicius
Fotos de Dhiogo Rezende.
Em um estado que se gaba por pagar um dos melhores salários do país na educação, supostamente esse tipo de evento não deveria se fazer necessário. Infelizmente, ainda existem governos que, em plena democracia, “brincam” de governar e cometem as maiores atrocidades quando o assunto é educação.

A propaganda que o governo faz é de que a educação é fundamental para o crescimento de um país. Ora, isso é fato. Porém, a prática se mostra completamente diferente: não há a devida valorização dos profissionais. Os professores recebem salários inadequados com o trabalho que exercem, não possuem as condições necessárias para desenvolverem um trabalho mais eficaz, é enorme a dificuldade de realizar especializações e cursos de formação continuada, além da falta de reconhecimento por parte da sociedade.
Ainda por cima, a ideia de que a profissão é uma missão e que somos os salvadores da pátria funciona como um argumento para governo e sociedade martirizarem e até desrespeitarem o docente. Há pouco tempo ouvimos o governador do Ceará afirmar que “professor tem que trabalhar por amor” e em seguida, utilizar a polícia para conter a manifestação da classe. Acima de tudo, o professor é um profissional como todos os outros, e trabalha para a construção de um país mais justo e igualitário.
Desse modo, nessa terça-feira aconteceu o que podemos considerar um marco histórico na educação do Tocantins: cerca de 200 professores e professoras das redes estadual e federal participaram da Paralisação pela Educação, promovida pelo Sintet – Sindicato dos Trabalhadores da Educação do Tocantins e Sinasefe – Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação, em Araguatins.

Mesmo debaixo do sol beirando os 40°, os educadores não se acanharam: foram às ruas para reclamar do descaso do governo brasileiro, e em especial, tocantinense, tem com a educação. Ao som de músicas criticando as palavras de campanha de Dilma Roussef e aos gritos de “Trabalhador na Rua, governo a culpa é sua”, a marcha seguiu pelas principais vias da cidade, culminando em ato público realizado em frente à sede da Diretoria Regional de Ensino.

“Estamos em greve desde o dia 02 de agosto. Temos uma pauta com as reivindicações. Já tentamos conversar com o governo, mas eles simplesmente não querem nos receber”, disse Aline Correa, técnica administrativa do IFTO – Instituto Federal do Tocantins e assessora de comunicação do Sinasefe. “Queremos um reajuste salarial de 14%, mas a proposta do governo é de apenas 4%. Além do mais, queremos que as gratificações contem como salário, tendo em vista que, na aposentadoria do servidor, haverá uma redução muito grande de valores. Além disso, que essas melhorias sejam estendidas aos técnicos, o que o governo não aceita”, completou.
Carlos Furtado - Diretor de Políticas Sociais do SINTET

Um dos principais militantes do Sintet, Carlos de Lima Furtado, diretor de políticas Sociais, apresentou as propostas para os professores da rede estadual. “Temos colegas que tivera o salário reduzido por conta da diminuição de turmas”, afirmou. “Isso sem contar o absurdo que é tirar as horas de planejamento dos professores, sob pena de redução de salário. O argumento do governo é a necessidade de contenção de gastos” acrescentou Carlos. “Queremos que o governo cumpra a lei. O governo se propõe a pagar a data-base a partir de janeiro de 2012. Nós concordamos que seja paga em 4 parcelas, mas eles disseram que só pagam em 24 vezes. Isso é inaceitável. Desse modo, alguns companheiros vão receber R$10.”
Questionado sobre a possibilidade de greve, Carlos foi enfático. “Nós nos reuniremos em Assembleia em Palmas dia 25. Caso o governo não se manifeste, há uma grande possibilidade. Se o governo pretendia reestruturar a pasta, que esperasse até o ano que vem. Como estamos praticamente no final do ano letivo, isso atrapalhou muito as coisas” completou.
Estudantes do Instituto Federal de Araguatins - Sem Aulas.

No final das contas, os maiores prejudicados são os alunos. Lorran Marinho, estudante do curso de computação do IFTO – Araguatins, ressaltou: “Não acho que os professores estejam errados. Já estamos há quase 3 meses sem aula e nem assim o governo se sensibiliza” comentou. ”A gente vê no jornal falando que as empresas só contratam quem tem qualificação. A gente quer estudar, quer se preparar para entrar no mercado de trabalho” acrescentou, indignado.

Referências da matéria:

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Jovens do Brasil, ainda distantes do ENEM e do Ensino Superior.

“Aquilo que o ENEM e o Brasil lhes pedem, não é o que a educação lhes dá.”



Cartaz de divulgação do ENEM no Colégio Estadual Buriti. Foto: Dhiogo Rezende
 
Do educAÇÃO BR.

O Exame Nacional do Ensino Médio surgiu no governo Lula como um instrumento inovador de avaliação e aos poucos foi sendo incorporado como uma forma padrão de ingresso nas universidades públicas e até nas particulares ligadas a outro projeto de inclusão ao ensino superior, o PROUNI.
As falhas de segurança do exame, ocorridas nos últimos anos, fizeram com que algumas universidades tradicionais quanto ao ingresso e seleção de seus estudantes, como a USP ainda resistam a adotar oficialmente o ENEM como processo seletivo. Contudo, depois dos vendavais na credibilidade do exame e da condução do Ministério da Educação, o ENEM resistiu e continua vivo e neste ano de 2011 se apresenta aos jovens que cursam os 3ª anos de todo o Brasil como um passaporte para a realização dos sonhos de fazer uma faculdade.
Mesmo com inúmeras criticas aos modelos de prova, as questões buscam habilidades e competências alinhadas ao perfil mais moderno e atualizado de um estudante concluinte do ensino médio. As duas provas realizadas em dois dias, somando 180 questões e uma redação cobram muita interpretação e analise de texto em todas as áreas do conhecimento, as questões trazem para o estudante níveis diferentes de complexidade, exigindo reflexão, criticidade dos conteúdos vistos nos programas do ensino médio.
As provas exigem do estudante uma formação técnica para o mercado de trabalho associada a uma visão humana, critico-social do mundo, seus diversos aspectos e relações. As questões se distanciam dos moldes ultrapassados de perguntas meramente objetivas e técnicas que incitam o aprendizado “decoreba”, de modo que seleciona os estudantes que estão concluindo o ensino básico com uma compreensão mais plena, significando os conteúdos a suas vidas, a realidade, ao mundo em que estão inseridos. Resumindo, nas 180 questões e redação do exame, ou estudante sabe ou não sabe.
Infelizmente no Brasil, o que se pede aos estudantes, não é o que se dá, principalmente para aqueles que estudam nas escolas públicas, mais ainda para os que estudam em regiões afastadas dos grandes centros. O sistema educacional do país é muito defasado e em muitos casos nega a estrutura para uma formação intelectual congruente com os níveis cobrados no ENEM e na própria vida social “capitalista”.
O ENEM inova na avaliação dos estudantes, mas mantém-se como um sistema excludente imitando o irmão mais velho e ultrapassado, o vestibular. Continua o sistema de seleção que privilegia as elites que podem executar com dinheiro o direito constitucional de um estudo de qualidade para seus herdeiros, enquanto os economicamente prejudicados da nação, famílias parentadas da classe média baixa e da pobreza assistida pelo Bolsa Família matriculam seus filhos no ensino público, onde ainda a cultura do saber, do conhecimento não é fornecida, nem pode ser compreendida como um direito e muito menos praticada com qualidade, tudo isto acompanhado das propositais irregularidades e “des-controles” com a educação pública por parte dos governos nos três níveis do poder público.
Mesmo com as inúmeras propagandas de extensão universitária e melhorias do ensino básico anunciadas pelos governos Lula-Dilma e executivos de muitos estados, fazer uma faculdade, pode continuar sendo apenas mais um sonho para muitos estudantes do país e do norte do Tocantins por exemplo. Uma região conhecida como Bico do Papagaio, cercada de belezas naturais, mas que apresenta índices alarmantes de desenvolvimento humano.
No Bico, as dificuldades já começam pela inexistência de universidades públicas na região, até as privadas são escassas, de forma que os poucos jovens, que primeiro se interessam e depois conseguem índices no ENEM, terão que ter toda uma logística e estrutura financeira para cursarem a faculdade em outros estados ou a 600, 700 km na capital, Palmas.
A região que na época da criação do estado em 1988 tinha mais de 50% de analfabetismo, fato que somado a baixa cobertura escolar e baixos índices de desenvolvimento humano, entre outros, formou uma barreira para educação e consequente aprendizado de qualidade da geração pioneira do antigo norte goiano. 23 anos depois, houve melhorias estruturais e sociais, mas os jovens dos pequenos municípios do Bico do Papagaio herdaram um distanciamento e desnivelamento para uma cultura do saber. Para muitos, a escola básica é um castigo forçado pelos pais que por fatores culturais e sociais pensam que a educação é dever exclusivo do estado, não participando da vida escolar dos filhos.
Exceto as comunidades rurais que tem suas dificuldades de aprendizado e estabelecimento de uma cultura escolar mais ligada a fatores do trabalho agrícola, nasce nos perímetros urbanos uma cultura do ócio juvenil, onde o cotidiano que poderia ser produtivo com as atividades escolares é substituído por um vazio intelectual ou cultura de massa em festas de sexta a domingo.
Os professores com ensino superior, especializados por área/disciplina são geralmente de outros estados, enquanto a maior parte dos educadores da região fez o magistério (normal-médio) com ensino a distancia. Na rede estadual os professores locais em sua maioria não são concursados, pois as vagas dos certames costumam ser ocupadas por candidatos de fora, que muitas vezes migram para outras cidades e escolas por não adaptação ou por motivos de melhoria profissional, juntamente a instabilidade dos contratados por questões politicas, aumentam o fluxo (vai e vem) ou a falta de docentes, o que é mais um ponto negativo para o ensino e aprendizagem.
Apesar das adversidades é possível observar pontos de luzes no fim do túnel, um desses pontos luminosos são alguns estudantes que mesmo inseridos em um meio social cercados de elementos de uma cultura torta ou desalinhada dos caminhos da educação de qualidade, acreditam na sua capacidade e continuam querendo e fazendo para chegarem lá. Em Buriti do Tocantins que tem cerca de nove mil habitantes e três unidades da rede pública oferecendo o ensino médio, teve em 2010 no maior colégio do município apenas 16 inscritos no ENEM, ainda no ano passado, o caçula dos estados ficou em ultimo lugar no Exame Nacional juntamente com o seu fronteiriço irmão Maranhão.
Procuramos alguns estudantes do 3ª ano do Colégio Estadual Buriti que estão às vésperas do ENEM 2011 em outubro. Eles contaram para o educAÇÃO BR as dificuldades e suas aspirações de futuro.

Samara Lorranny (17), Wandson Pereira (18) e Sinara Bonilha (17) Foto: Dhiogo Rezende. 


Os três estudantes do ensino médio disseram que a estrutura do colégio é boa e que existem bons professores, mas que algumas aulas não são bem aproveitadas por conta da bagunça, falta de atenção, falta de respeito e desinteresse das turmas pelas disciplinas e seus docentes, e também pela falta de inovação e até dominio de conteúdo nas aulas de alguns professores. "Quem tem mais interesse, nas salas fica prejudicado". Fatos que às vezes lhes causam desmotivação, sentimento que eles também observam nos educadores.
Percebo que o nível das aulas e das provas tem que ser maior, mas não é assim por não acompanhar o nível das turmas, vemos muita aprovação aqui, mas é o contrario do que acontece no ENEM. Afirmou Sinara.
Ainda mais desmotivador para eles é a falta do poder público na oferta de cursos e até postos de trabalho na região. Desanima saber que as provas são difíceis, a competição é grande e que existe gente melhor preparada em cidades maiores, e que se conseguirmos um bom resultado no ENEM, teremos que deixar a cidade, a família, os amigos para fazer algum curso bem distante. Disseram os estudantes.